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Estados Unidos da América

Economia chinesa continua a abrandar face a disputas comerciais com EUA

A redução das restrições ao crédito e o aumento da despesa pública, visando evitar a destruição de empregos, foram alguns dos estímulos lançados para reavivar a economia, mas que não tiveram sucesso.

A economia enfrenta um "ambiente complexo, interna e externamente"

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  • Agência Lusa

O produto interno bruto (PIB) da China cresceu 6,2% no segundo trimestre, menos 0,5 pontos percentuais face ao mesmo período de 2018, confirmando o abrandamento da segunda maior economia mundial, face às disputas comerciais com Washington.

Entre abril e junho, a economia chinesa cresceu menos duas décimas do que no trimestre anterior, segundo os dados oficiais divulgados nesta segunda-feira.

“A guerra comercial está a ter um enorme impacto na economia chinesa”, considerou Edward Moya, da financeira OANDA, num relatório. “À medida que as negociações comerciais estagnam, provavelmente a economia da China continuará a abrandar”, acrescentou.

O abrandamento sucede apesar dos estímulos lançados por Pequim, incluindo reduzir as restrições no acesso ao crédito e aumentar a despesa pública, visando evitar a destruição de empregos, o que poderia resultar em instabilidade social.

O regime de partido único assenta num contrato social entre o Partido Comunista e o povo chinês, no qual a elite dominante mantém a autoridade e privilégios indisputados e, em troca, assegura o crescimento económico e melhoria constante dos padrões de vida.

A economia enfrenta um “ambiente complexo, interna e externamente”, considerou o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, em comunicado. A atividade económica da China tem repercussões globais.

O país é o maior cliente de vários bens e matérias primas, constituindo um importante mercado para produtos alimentares, energia ou tecnologia. O mercado chinês representou 26,8% das exportações brasileiras, em 2018, e é de longe o maior destino do petróleo angolano, por exemplo.

As vendas a retalho aumentaram 8,4%, no conjunto da primeira metade do ano, com o ritmo de crescimento a abrandar uma décima no segundo trimestre, face aos três meses anteriores.

O ritmo de crescimento da produção industrial abrandou para 6% no primeiro semestre, com uma queda de 0,1% entre abril e junho, em relação ao primeiro trimestre.

O investimento em fábricas, imóveis e outros ativos fixos aumentou 5,8%, no primeiro semestre do ano – uma subida de 0,2%, face ao período entre janeiro e maio.

O crescimento do crédito acelerou para níveis “perigosamente altos”, considerou Iris Pang, da consultora ING, acrescentando que sem os estímulos a economia “estaria a deteriorar-se” de forma “preocupante”.

Em junho, as exportações chinesas para os Estados Unidos caíram 7,8%, em termos homólogos.

Os governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um, numa guerra comercial que ameaça a economia mundial.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

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