Rádio Observador

Saúde

Hospital de Évora cria três Centros de Responsabilidade Integrada e um centro pioneiro para prestar cuidados cardiovasculares

613

Os Centros de Responsabilidade Integrada Cardiovascular e Onco-Cirúrgico são inovadores no país e um deles é mesmo único. Centro de Responsabilidade Integrada Cardiovascular é mesmo o primeiro.

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) tem em fase de implementação, desde este mês, os Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) Cardiovascular e Onco-Cirúrgico, inovadores no país, e de Cirurgia da Obesidade, único no sul.

Estes três CRI estão em fase de implementação, desde este mês, e aguardam inauguração oficial, o que se espera que ocorra muito em breve”, revelou esta segunda-feira à agência Lusa a presidente do conselho de administração do HESE, Maria Filomena Mendes.

Segundo a mesma responsável, estas novas valências são “muito importantes” porque “cobrem áreas” nas quais se registam, no Alentejo, “os maiores níveis de mortalidade”, como são “as doenças cardiovasculares e as doenças oncológicas”, assim como “um problema que afeta grande parte das pessoas, que é a obesidade”.

O Centro de Respostas Integradas ligado à Obesidade, apesar de existirem já outros em diversos hospitais do Serviço Nacional de Saúde do país, “é único” na região sul, salientou Maria Filomena Mendes.

“O CRI Onco-Cirúrgico do HESE é inovador no país e também é muito importante porque junta as valências da área da oncologia e da cirurgia”, permitindo que “haja uma maior acessibilidade e uma melhor qualidade no atendimento” aos utentes, argumentou.

Estes dois centros, que já contam com equipas multidisciplinares formadas e alguns equipamentos adquiridos, ainda “terão outras melhorias no futuro”, mas, para já, estão a começar a funcionar em instalações preexistentes.

Já o CRI Cardiovascular é que “tem, neste momento, instalações remodeladas e próprias”, bem como “novos equipamentos de topo”, o que “permite dar uma resposta que, até agora, não conseguíamos dar”, frisou.

A criação destes três centros, que representam “uma nova forma de organização interna”, mostra que “os profissionais do HESE estão muito abertos à inovação”, elogiou a presidente do conselho de administração (CA).

“O CA lançou o desafio e, independentemente de serem chefes de serviço ou não, os profissionais podiam propor a criação de um CRI. Estes três foram aprovados e envolvem equipas multidisciplinares muitos grandes”, afirmou.

Maria Filomena Mendes argumentou que “é um processo que está a iniciar-se em poucos hospitais do país e aqui não houve qualquer receio de abraçar o desafio e de construir o futuro”, já a pensar no futuro Hospital Central do Alentejo, previsto ser construído em Évora.

É um modelo de funcionamento completamente distinto, que permite cruzar diferentes serviços e ter sempre o doente no centro e que pode motivar mais os profissionais”, pois, “abre a possibilidade de haver diferentes níveis de remuneração consoante os diferentes objetivos que vão alcançando” e “aposta muito na área da formação e da investigação”, explicou.

Os CRI estão contemplados no novo regime dos hospitais do setor público, publicado em Diário da República a 10 de fevereiro de 2017. Estes centros são constituídos por equipas multidisciplinares integrando médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais, gestores e administradores hospitalares e outros profissionais de saúde, de acordo com a área ou áreas de especialidade. Os CRI constituem-se através de formas de organização flexíveis direcionadas para dar respostas céleres e de qualidade às necessidades dos utentes.

O primeiro Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) Cardiovascular do país

O primeiro Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) Cardiovascular do país, que integra cuidados cardíacos, vasculares e neurovasculares, está a “nascer” no Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), num investimento de 2,5 milhões de euros.

“As obras estão feitas e os equipamentos estão instalados. Temos algumas valências a funcionar, desde este mês, e vamos abrindo outras”, revelou à agência Lusa o diretor do novo centro, o cardiologista do HESE Lino Patrício.

Segundo o médico, este novo modelo de gestão implementado através CRI vai permitir integrar os cuidados cardiovasculares (cardíacos, vasculares e neurovasculares) numa única unidade, o que é “pioneiro em Portugal”.

Conseguimos criar um centro especial em Évora que vai servir todo o Alentejo e que é o primeiro Centro de Responsabilidade Integrada Cardiovascular do país”, frisou o cardiologista, que também trabalha no Hospital de Santa Marta, em Lisboa.

A presidente do conselho de administração do HESE, Maria Filomena Mendes, adiantou à Lusa que o hospital tem em fase de implementação, este mês, três CRI, ou seja, além deste, vão surgir mais dois, um na área Onco-Cirúrgica (igualmente inovador no país) e outro de Cirurgia de Obesidade (único no sul).

Lino Patrício explicou à Lusa que o CRI Cardiovascular, que implicou um investimento a rondar os “2,5 milhões de euros”, numa parceria entre a Siemens, a Universidade de Évora (UÉ) e a EDP Solidária, vai juntar “a investigação científica e a formação” dos profissionais e “uma melhor assistência aos doentes”.

“O CRI vai afiliar-se com outros hospitais, como o de Santa Marta, para trazer algumas técnicas também para o Alentejo e médicos que, pontualmente, venham fazer intervenções”, disse.

A unidade permitiu “criar uma segunda sala de hemodinâmica no HESE, o que permite ampliar a intervenção, não só cardíaca, mas também a intervenção na aorta, no cérebro e nos vasos periféricos”, destacou.

Em termos de equipamentos, “conseguimos adquirir um AngioTac, um TAC que permite fazer angiografias e que é topo de gama. É um TAC de 128 cortes e, fora de Lisboa, pelo menos a sul, não existe mais nenhum”, revelou o clínico.

As componentes da formação e da investigação científica são também importantes, tendo o HESE e a Universidade de Évora criado, já há algum tempo, o Centro de Inovação na Investigação e Formação em Doenças Cardiovasculares (CORE).

Vamos poder fazer investigação e formação, aumentar para o dobro o número de intervenções cardíacas e ter pela primeira vez a possibilidade de fazer no sistema público AngioTacs coronários e vasculares com um aparelho topo de gama e de muito alta definição que só existe em sítios privados em Lisboa”, resumiu.

Por isso, segundo Lino Patrício, o CRI Cardiovascular vai permitir que “os doentes de todo o Alentejo e até de fora da região possam vir” ao HESE para as intervenções de que necessitam.

A equipa multidisciplinar, de aproximadamente 30 pessoas, “fundamentalmente gente da casa”, inclui médicos de diversas especialidades cardiovasculares (cardiologia, cirurgia vascular ou neurorradiologia), que “vão trabalhar em conjunto, o que não é muito habitual em Portugal”, assim como enfermeiros, técnicos e administrativos, disse o diretor.

“Esta ferramenta de gestão do CRI, que nos permite fazer mais desde que possamos remunerar melhor os profissionais, pode reativar este tecido humano que está a ficar escasso no Serviço Nacional de Saúde e quisemos, precisamente, criar este centro Cardiovascular no interior para mostrar que aqui e nos hospitais públicos também é possível fazer inovação e investimentos”, argumentou o diretor.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)