As tensões no Médio Oriente podem representar uma “ameaça existencial” para o homem, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, caso o acordo nuclear com o Irão colapse.

“O Médio Oriente já é uma das regiões mais instáveis ​​do mundo, mas se todos os lados estivessem armados com armas nucleares, isso representaria uma ameaça existencial à humanidade. Farei tudo ao meu alcance para evitar que isso aconteça” garantiu Jeremy Hunt, citado pelo The Guardian, na manhã desta segunda-feira antes de entrar numa reunião da União Europeia em Bruxelas na qual, referiu, vai tentar reforçar a importância do acordo nuclear.

No sábado, Hunt já tinha tentado amenizar a tensão, ao contactar o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif. No telefonema, relatado pelo jornal britânico, o político assegurou que o petroleiro iraniano capturado há 10 dias poderia ser libertado, caso Teerão assegure que os responsáveis da embarcação não irão descarregar o petróleo na Síria.

Zarif não reagiu da melhor forma à proposta de Hunt, afirmando que o Irão deveria ter o direito de vender petróleo a qualquer país e que a apreensão do navio “Grace 1” tinha sido um ato de pirataria.

Hunt voltou a falar da detenção em Gibraltar esta segunda-feira, acrescentando que a mesma foi uma violação “da imposição de sanções à Síria por parte da UE . A ação tinha que ser tomada, e isso não tinha nada a ver com o petróleo ser iraniano ”.

Também esta segunda-feira a França, a Alemanha e o Reino Unido — os três signatários europeus do acordo nuclear — emitiram uma declaração conjunta antes da reunião. “Os riscos são de tal ordem que é preciso que todas as partes interessadas façam uma pausa e considerem as possíveis consequências das suas ações”, dizem em comunicado, citado pelo The Guardian.

No domingo Teerão mostrou-se disponível para negociar. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que o país estava pronto para discutir o acordo nuclear com os Estados Unidos se  e quando estes “pararem com as sanções e o assédio” ao Irão.