Rádio Observador

CDS-PP

Cristas diz que os empresários temem o PS: “Quem se mete leva. Toda a gente ainda tem medo do PREC”

463

O CDS esteve "muitas vezes" sozinho na oposição, porque "ainda toda a gente tem medo do PREC", disse a líder aos empresários. Depois, na TVI, defendeu a abertura da travessia do Tejo a privados.

TIAGO PETINGA/LUSA

A última sondagem SIC/Expresso, divulgada na passada sexta-feira, coloca o CDS atrás de Bloco de Esquerda e PCP e apenas com apenas mais 1% das intenções de voto do que o PAN, mas Assunção Cristas desvaloriza-a. Em entrevista à TVI, a líder centrista afirmou que o partido está habituado a lidar com sondagens que não lhes são favoráveis e isso não “os impede de trabalhar”. Admitiu “preocupação” mas com o sentido de que está tudo à sua frente. É preciso é que o CDS não esteja sozinho na oposição, como esteve “muitas vezes”, mas que tenha também o apoio dos empresários, que “ainda têm medo” do PS, como dissera horas antes da entrevista num encontro com a Câmara do Comércio e Indústria Portuguesa: “Quem se mete com o Partido Socialista leva”.

No almoço com empresários, em Lisboa, durante uma conversa conduzida pelo presidente Bruno Bobone — registada, por exemplo, pela SIC e pelo Expresso —, a líder centrista justificou a dificuldade de afirmação de CDS-PP perante o PS, durante o mandato do atual Governo, com o “medo” que há do Partido Socialista, que fez com que o CDS falasse “muitas vezes sozinho na oposição”.

A oposição não se faz sozinhos, é preciso despertar toda uma sociedade, todo um setor privado, todo um tecido empresarial, que não está insatisfeito porque as coisas melhoraram um bocadinho — mas o que gostava era que estivesse desassossegado e insatisfeito porque as coisas podem melhorar muito mais para todos”, referiu Cristas.

Para o centro-direita e a direita se superiorizarem à esquerda, é preciso um “trabalho em conjunto” de várias entidades, não apenas no parlamento, defendeu Cristas, instando ainda à colaboração dos empresários (citada pelo Expresso): “Aquilo que senti muitas vezes é que o CDS falava sozinho na oposição, no parlamento e fora do parlamento, aliás já o disse muitas vezes. Porquê? Porque o setor privado tem receio, tem medo, porque quem se mete com o Partido Socialista leva. É mesmo assim, sabemos como o Partido Socialista funciona”.

Connosco [os patrões e empresários] falavam, mas em público tinham medo. Toda a gente ainda tem medo do PREC. Mas a oposição e o combate à esquerda não se pode fazer apenas com um partido no Parlamento, ou dois, mas com uma sociedade civil que acredita na iniciativa privada”, apontou Cristas. Lançou ainda farpas à restante oposição: “Não nos confundimos com uma outra direita que podia estar mais à esquerda ou até ser confundida com o PS.”

Concorrência privada à Transtejo/Soflusa seria “benéfica”

Horas depois do encontro com empresários, em entrevista à TVI, Assunção Cristas afirmou que “é difícil ser oposição, desgasta” e que o CDS-PP prefere “estar a construir”. Depois de uma campanha nas eleições europeias agressiva nas críticas ao Governo e ao socialismo, a líder centrista defende agora que “é melhor” e prefere “estar junto com as pessoas — que é aquilo que farei agora — a apresentar propostas construtivas do que estar no Parlamento com encargo de fazer oposição intensa ao Governo”.

Entre essas “propostas construtivas” está uma ideia lançada por Assunção Cristas durante a entrevista: a abertura à possibilidade de empresas privadas fazerem transporte fluvial de passageiros na travessia do Tejo. Ou seja, defendeu que a empresa pública de transportes Transtejo/Soflusa possa vir a enfrentar concorrência do setor privado.

Abrir à concorrência à Travessia do Tejo, para nós faz sentido. Como temos no transporte aéreo: temos uma TAP e depois temos várias companhias a operar. Se os privados entenderem que interessa virem trabalhar e fazer essa travessia, pois todos os que o entenderem devem poder fazê-lo”, afirmou, defendendo ainda os benefícios da concorrência para o utilizador.

Assunção Cristas criticou ainda o Governo pela forma como tem sido incapaz de chegar a acordo com os sindicatos que representam os motoristas de matérias perigosas. Se o CDS-PP fosse Governo, apontou Cristas, “já teria longo tempo de negociação com este setor”.

Propostas em vez de críticas, questões práticas em vez de abstrações ideológicas

A discussão sobre a abertura da travessia fluvial do Tejo à concorrência insere-se no regresso do partido à “política positiva”, como afirmou recentemente por Assunção Cristas. Desde a derrota nas eleições europeias — em que o partido conseguiu eleger apenas um eurodeputado, Nuno Melo, quando o objetivo era eleger também pelo menos o segundo elemento da lista, o antigo ministro Pedro Mota Soares —, os centristas têm insistindo na divulgação semanal de uma medida do seu programa eleitoral.

Após as europeias, a líder do partido que já assumiu querer disputar com o PSD a liderança do centro-direita tinha garantido: “Compreendemos bem o sinal que os eleitores nos quiseram dar” e “lemos bem os resultados”. A ideia era uma: voltar a colocar no centro da discussão as pessoas e voltar a focar o partido em propostas que melhorem a vida às pessoas. Tirar, em suma, o debate do plano teórico e ideológico para o colocar no plano prático.

Curiosamente, a posição é um retorno àquilo que o CDS já tinha defendido durante uma fase anterior do mandato de Cristas como líder, através do seu então dirigente Adolfo Mesquita Nunes: “Enquanto uns se entretêm na retórica, o CDS pode destacar-se nas propostas”, chegou a dizer o então dirigente numa entrevista onde defendeu que o partido se assuma como “o partido do quotidiano, que centra o seu discurso nas preocupações diárias das pessoas e não em abstrações ideológicas”.

Entre as propostas recentemente apresentadas pelo CDS estão a extensão da ADSE também para trabalhadores do setor privado, redução de impostos (de 21% para 12,5% para as empresas em seis anos, em cerca de 15% para as famílias e territorialmente discriminando positivamente o interior), consultas no setor privado para reduzir o tempo de espera no Serviço Nacional de Saúde, proibição de penhoras do fisco enquanto decorrem prazos para reclamação, abatimento de dívidas que o Estado tenha a contribuintes nos impostos que estes pagam e ajustamento da formação profissional às necessidades das empresas e à economia digital.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt
CDS-PP

Vai lamber sabão

Luís Gagliardini Graça
525

Exaltamos os espíritos mais irrequietos a agregarem, a renovarem votos de amor à pátria, ao próximo e ao bem-comum, porque só assim nos reergueremos das cinzas das sondagens e do desnorte.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)