Chama-se Buteyko e está a preocupar a comunidade médica. É um método com mais de 70 anos que consiste em tapar a boca com fita-cola para se dormir melhor. Só que agora ganhou uma seguidora de peso: uma cantora indonésia que tem 1.6 milhões de seguidores no Instagram. Andien publicou uma foto nas redes sociais ao lado da família, incluindo o filho de dois anos de idade, com a fita adesiva a cobrir as bocas antes de dormirem, e fez soar os alertas. Alguns médicos, citados pela BBC já avisaram: o melhor é mesmo não imitar a celebridade, o perigo é real, pode morrer engasgado.

Este método de controlo da respiração foi criado por Konstantin Buteyko, um engenheiro russo que se tornou médico entre os anos 40 e 50 e tinha como objetivo evitar que os doentes aumentassem o esforço para respirar e entrassem em hiperventilação. Com técnicas emprestadas do yoga, o método foi desenvolvido e ganhou adeptos ao redor do mundo.

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Mas os médicos revelam que isto é não só perigoso como “ridículo”, como se lê no The Guardian, já que a possibilidade de vómito noturno poderia levar qualquer um a morrer engasgado. O jornal britânico reitera que fazê-lo a crianças é “extremamente irresponsável”.  Porém, aqueles que usam o método garantiram que os níveis de espirros, tosse e doenças respiratórias, como a asma, diminuíram. Fãs do Buteyko adicionaram que, ao combater a apneia do sono, a prática seria eficaz contra a depressão, o défice de atenção e a síndrome de fadiga crónica, mas a Segurança Nacional de Saúde do Reino Unido informou que existem poucas evidências de que este seja um tratamento contra as doenças.

Os defensores do Buteyko alegam que este é eficiente pois, ao respirar pelas vias aéreas nasais, o ar é aquecido e o seu caminho até os pulmões é facilitado. Como consequência, a entrada de oxigénio e a perda de dióxido de carbono são regularizadas, diminuindo a possibilidade de inflamação e garantindo uma boa noite de sono.

Nirmal Kumar, presidente da Associação Ear, Nose, Throat (Ouvidos, Nariz e Garganta), declarou ao The Guardian que “nenhuma evidência presente na literatura médica apoia este tipo de tratamento”. Os médicos admitem que os exercícios respiratórios podem ajudar a aliviar os sintomas e são aliados de tratamentos, mas reiteram que não concordam com a aplicação da fita-cola nas bocas.