Rádio Observador

Feminismo

Movimento queixa-se à Comissão para a Igualdade de um cartaz que faz publicidade a carne com imagem de mulher na praia

977

Movimento Democrático de Mulheres diz que a prática é "vexatória e ajuda a manter estereótipos de género". Pedindo desculpa pelo sucedido, a empresa adianta ter retirado os cartazes.

Queixa aconteceu por causa da publicidade de uma empresa do norte do país que promove a venda de carne de vitela usando uma imagem de uma mulher

Autor
  • Agência Lusa

O Movimento Democrático de Mulheres queixou-se à Comissão para a Igualdade de Género por causa da publicidade de uma empresa do norte do país que promove a venda de carne de vitela usando uma imagem de uma mulher.

No texto da queixa, a que a Lusa teve acesso, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) diz-se farto de ver o corpo da mulher a servir, “subliminar ou explicitamente, para vender todo o tipo de produtos, num mercado que tem interesse em vender e que sabe que assim assegura melhor esse objetivo”.

A publicidade em causa é do Grupo Carnes Sá da Bandeira, de Vila Nova de Gaia, que anuncia a venda de carne de vitela branca para assar e de coxas de frango, associando-a à imagem de uma mulher em biquíni na praia. O grupo já veio, entretanto, pedir desculpa pelo “mal-entendido”.

“Dirão alguns que ‘o mal está nos olhos de quem o vê’. Outros, talvez, que as imagens não estarão associadas ao produto, mas sim à estação do ano”, escreve o MDM no texto da queixa, sublinhando: “É tempo de dizer que as mulheres não são mercadoria, não são produtos vendáveis, nem podem os seus corpos ser usados como tal”.

O MDM diz que a prática é “vexatória (…) e ajuda a manter estereótipos de género, a disseminar e a naturalizar o desrespeito pelas mulheres enquanto seres humanos, desrespeito esse que incita à submissão, o escárnio e à própria violência contra as mulheres”.

Este tipo de publicidade viola claramente o Código da Publicidade, que no seu Artigo 7.º (Princípio da licitude) proíbe a publicidade que, pela sua forma, objeto ou fim, ofenda os valores, princípios e instituições fundamentais constitucionalmente consagrados, bem como proíbe publicidade que atente contra a dignidade da pessoa humana e contenha qualquer discriminação em relação à raça, língua, território de origem, religião ou sexo”, acrescenta.

Na queixa, o MDM pede a intervenção da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género junto das entidades competentes para a fiscalização e instrução de processos de contraordenação para que a publicidade em causa seja retirada e se apurem todas as responsabilidades e consequências.

Na sua página na rede social Facebook, a Carnes Sá da Bandeira publicou na segunda-feira um comunicado relativo ao que considerou ser um “mal-entendido”, afirmando que, “à semelhança do ano anterior, foram elaborados cartazes alusivos ao verão cuja associação de imagens levou a interpretações que de modo algum ocorreu à empresa”.

Pedindo desculpa pelo sucedido, a empresa adianta ter retirado os cartazes.

“Tendo como máxima que ‘a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro’, procedemos de imediato à remoção dos mesmos. Pedimos desculpa pelo sucedido, em momento algum tivemos intenção de ofender quem quer que fosse e de futuro tomaremos isto em atenção nas próximas campanhas publicitárias”, afirma.

A Carnes Sá da Bandeira sublinha ainda estar no mercado há 30 anos “com respeito, consideração, deferência e muito apreço por todos os seus clientes, fornecedores e pessoas em geral”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Feminismo

A vitória do patriarcado

Patrícia Fernandes e André Azevedo Alves
189

Boa parte do feminismo atual, enquanto insiste em olhar para o mundo desvalorizando o que a mulher fez e sobrevalorizando a esfera tradicionalmente masculina acaba vencida pelo seu próprio vocabulário

Feminismo

Liberdade p/assar /premium

Alberto Gonçalves
1.301

O descaramento do MDM e associações similares é infinito. Uma coisa, já de si irritante, é a sensibilidade contemporânea a matérias tão insignificantes que não ofenderiam o antigo arcebispo de Braga.

Jesus Cristo

Santos da casa também fazem milagres! /premium

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
233

Todas as casas reais peninsulares descendem do profeta Maomé. Há uns séculos, este parentesco era muito indesejável mas ainda poderá ser de grande utilidade, se a Europa for ocupada pelo Islão.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)