Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau admitem que “dois ou três tufões severos” possam verificar-se no mar do sul da China nos próximos meses, mas sublinham que ainda é cedo para prever o impacto no território.

“Não descartamos a possibilidade de haver tufões severos [em Macau], mas depende das previsões daqui a dois ou três meses, e depende do clima no Oceano Pacífico”, afirmou esta terça-feira o diretor dos SMG, Tang Iu Man, em conferência de imprensa.

Durante a época de tufões, que arrancou em junho e se prolonga até início de outubro, os SMG preveem que entre “quatro a seis tempestades tropicais possam entrar a menos de 800 quilómetros” da região, relegando para setembro o “período de pico”.

Sobre o ciclone tropical Danas, localizado atualmente no leste das Filipinas, Tang Iu Man informou que “há mais de 60% de probabilidade de a tempestade se movimentar para Taiwan e atingir a costa da província chinesa de Fujian”.

“De acordo com esta trajetória, a tempestade tropical não vai afetar muito Macau”, declarou, ressalvando que, devido ao ciclone, as temperaturas vão manter-se muito altas nos próximos dez dias no antigo enclave português.

Na conferência de imprensa que serviu para fazer um balanço dos trabalhos da proteção civil desde a passagem do super tufão Manghkut, em setembro passado, vários representantes de diferentes estruturas apresentaram planos de contingência para a época que se avizinha.

O aperfeiçoamento dos mecanismos de emergência, a operabilidade dos planos de evacuação, simulacros e ações de sensibilização, bem como o reforço das comunicações em tempo real, foram alguns dos pontos apresentados na conferência.

O Instituto para os Assuntos Municipais indicou, por exemplo, que 475 árvores em risco de queda já foram removidas. Por sua vez, os Serviços de Turismo afirmaram que quase todas as unidades hoteleiras já apresentaram ao governo os respetivos planos de contingência.

Já no final do mês passado, a Companhia de Eletricidade de Macau (CEM) tinha anunciado o reforço da rede de transmissão de energia da China continental para Macau, para garantir a segurança e o fornecimento de eletricidade ao território durante esta época.

Questionado sobre a responsabilidade das operadoras de jogo, o comandante geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Ma Io Kun, informou que “ainda não há consenso” sobre a altura em que devem ser suspensas as atividades nos casinos.

“Podemos estabelecer isto na lei de bases de proteção civil, de forma a confiar ao chefe do Executivo a competência de suspender as atividades de jogo (…) durante a ocorrência de incidentes súbitos de natureza pública”, defendeu Ma Io Kun, que também é comandante de ação conjunta da estrutura de proteção civil.

A escala de alerta de tempestades tropicais é formada pelos sinais 1, 3, 8, 9 e 10, que são emitidos tendo em conta a proximidade da tempestade e a intensidade dos ventos.

Durante a passagem do tufão Mangkhut, em setembro passado, que obrigou as autoridades a içarem o sinal 10, os casinos fecharam portas pela primeira vez.

“Neste momento, só existe um consenso. Mas as concessionárias vão ter em conta a segurança dos seus funcionários”, afirmou.

Em meados de setembro do ano passado, o tufão Mangkhut, considerado o mais forte da temporada, causou em Macau prejuízos económicos diretos e indiretos no valor de 1,74 mil milhões de patacas (192 milhões de euros), segundo o último balanço das autoridades.

Apesar de se caracterizar pela mesma intensidade que o Mangkhut, o tufão Hato, no ano anterior, fez dez mortos, mais de 240 feridos e prejuízos avaliados em 1,3 mil milhões de euros.