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Venezuela

Crise na Venezuela em debate na cimeira do Mercosul

O anfitrião da cimeira, o Presidente argentino Maurício Macri, e brasileiro, Jair Bolsonaro, foram alguns dos intervenientes a mostrar solidariedade com o país. Posição do bloco não é uniforme.

Em agosto de 2017 o Mercosul suspendeu a Venezuela

MIGUEL GUTIERREZ/EPA

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  • Agência Lusa
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A crise na Venezuela foi o tema em destaque no debate político na cimeira do Mercosul que decorre na Argentina, e que serviu para o Presidente do Brasil assumir a presidência semestral da organização sub-regional.

“Quero exprimir a minha solidariedade com o povo venezuelano que sofre uma crise humanitária sem precedentes na região”, referiu nesta quarta-feira o anfitrião da cimeira, o Presidente argentino Maurício Macri, num bloco em que o país caribenho se encontra suspenso.

Macri afirmou que reconhece a Assembleia Nacional (parlamento venezuelano) e o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, como “a única autoridade legítima na Venezuela”. Em simultâneo, exortou o Presidente Nicolás Maduro a “deixar de obstruir a transição democrática e termine com as violações de direitos humanos dos venezuelanos”.

Por sua vez, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, considerou que a crise política, social e económica da Venezuela tem origem “no populismo, na irresponsabilidade, de um projeto de país que não teve limites”. “Pedimos a Deus que nos dê força e inteligência e que o destino da Venezuela seja o mesmo que nós temos, isto é, democracia, liberdade e prosperidade”, acrescentou.

Na sua intervenção, e após assumir a presidência semestral do Mercosul, pediu um bloco “com mais ação e menos discursos” e sugeriu um ambicioso plano de ação, que inclui a intensificação das negociações comerciais com as grandes economias mundiais.

Sobre os eixos essenciais da presidência brasileira, Bolsonaro indicou a eliminação da componente ideológica do bloco, a modernização da sua estrutura e a revisão das tarifas externas comuns.

Nas suas declarações, o Presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, defendeu que “um dos pilares fundamentais do Mercosul é a concentração política, que deve traduzir-se em mecanismos que garantam a plena vigência do Estado de direito e da democracia”.

“A nossa solidariedade com essa grande Venezuela faz-me estar otimista de que em pouco tempo o povo venezuelano protagonizará o regresso à democracia dessa grande nação irmã”, disse ainda numa referência à situação no país latino-americano.

Na cimeira semestral da organização comercial sul-americana também participaram os presidentes do Uruguai, Tabarè Vázquez, da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Sebastián Piñera, que não se referiram à crise venezuelana nos seus discursos.

O chefe da diplomacia argentina, Jorge Faurie, revelou na terça-feira que esta quarta-feira seria emitida uma declaração sobre a situação na Venezuela, que teria a adesão dos países que entendessem subscrever o documento.

Em agosto de 2017 o Mercosul suspendeu a Venezuela por considerar que no país ocorreu uma “rutura da ordem democrática” promovida pelo Governo de Nicolás Maduro. Apesar desta suspensão aprovada por consenso, a posição dos membros do bloco não é idêntica sobre a forma de lidar com a situação de crise.

O Uruguai, México, Bolívia e Comunidade do Caribe (Caricom) apoiam o Mecanismo de Montevideu, uma iniciativa para impulsionar o diálogo político na Venezuela, e não reconheceram Guaidó como o autoproclamado Presidente interino, uma função que reivindica desde janeiro.

Pelo contrário, Argentina, Brasil e Paraguai reconhecem esse estatuto a Guaidó e integram o Grupo de Lima, com posições mais duras face ao regime de Maduro.

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