As fotografias foram publicadas às 6h40 da madrugada deste domingo, no Instagram de Brandon Clark, um jovem de 21 anos e o autor do crime. Nelas, podia ver-se um corpo de uma rapariga ensanguentado, que mais tarde viria a descobrir-se que era Bianca Devins, de 17 anos. Podia e continuou a poder ver-se durante 24 horas uma vez que o Instagram continuou a permitir que aquelas imagens continuassem disponíveis: só no dia seguinte é que a rede social começou a tomar medidas para eliminar as imagens. O que não foi fácil: àquela hora havia até utilizadores que tinham criado contas com essas imagens para obter gostos e seguidores.

De acordo com o relatório da ocorrência, 40 minutos depois da publicação, a polícia de Utica, cidade no estado norte-americano de Nova Iorque, começou a receber “inúmeras chamadas a informar que um rapaz tinha publicado nas redes sociais que tinha matado a namorada e ameaçava agora magoar-se a si próprio”. Na publicação, Brandon Clark escreveu: “Desculpa Bianca”. O rapaz publicou ainda as mesmas imagens em duas aplicações online de jogos.

Ao mesmo tempo, vários utilizadores começaram a denunciar a imagens ao próprio Instagram, mas a rede social apenas classificou as imagens como conteúdo sensível e aplicou um aviso e um filtro que desfoca as fotografias. Ainda assim, a imagem continuava disponível: bastava que um utilizador clicasse na imagem para aceitar ver o conteúdo sensível. Embora a imagem não tenha sido partilhada, milhares de utilizadores daquela e de outras redes sociais começaram a falar da existência de uma foto de um cadáver no Instagram de Brandon, questionando o porquê de ainda estar disponível.

O assunto tornou-se uma tendência nas redes sociais — especialmente porque os utilizadores começaram a usar o hashtag #ripbianca — o que fez com que várias pessoas acedessem ao perfil do jovem para visualizar a imagem. Além disso, houve mesmo utilizadores a sugerir a outros que seguissem a conta de Brandon Clark para, assim, ver as imagens antes que o Instagram removesse a conta — embora outros aconselhassem a não fazê-lo. De acordo com a revista Rolling Stone, houve até utilizadores que fizeram uma captura de ecrã à imagem e a criar contas onde publicaram as fotografias do cadáver, em busca de gostos e seguidores.

Só na manhã de segunda-feira — 24 horas depois da publicação da foto — é que o Instagram finalmente removeu a conta do suspeito e começou a tomar medidas para apagar a imagem de toda a rede social.

Na manhã do homicídio, o autor das fotografias acabou também ele por ligar para o 911 (o equivalente ao 112, em Portugal) o que levou os agentes da polícia a mobilizar-se de imediato para o local. Lá acabariam por encontrar Brandon Clark dentro de um carro e o corpo de Bianca Devins não muito longe dali. Quando intercetado pela polícia, o jovem deitou-se ao lado do cadáver e começou a tirar várias selfies. O rapaz foi entretanto detido e indiciado com homicídio em segundo grau.

A investigação permitiu concluir que os Brandon e Bianca se tinham conhecido há dois meses, através precisamente do Instagram. “Eles passavam algum tempo juntos e já tinham conhecido a família uns dos outros”, aponta a polícia no relatório da ocorrência, que adianta que a polícia está a colaborar com as redes sociais visadas. 

Instagram nega que tenha demorado 24 horas a agir. Mas confirma que só removeu conta na segunda-feira

Questionada pelo Observador, fonte do Facebook que detém o Instagram, confirmou que “está a detetar conteúdos relacionados com este trágico acontecimento e a remover os que violam as nossas políticas”. O Instagram nega a informação avançada e confirmada por vários jornais que tenha demorado 24 horas a agir, embora não consiga dizer ao certo quanto tempo demorou. Mais à frente, no entanto, confirma que só na segunda-feira e depois de o crime e os suspeitos serem confirmados é que removeu a conta de Brandon Clark, quer no Instagram, quer no Facebook.

Não conseguimos dizer ao certo quanto tempo demorou a remover a publicação, mas não demorou 24 horas”, respondeu o Facebook, numa nota enviada por email ao Observador.

A mesma fonte explica que quando tomou conhecimento do “trágico acontecimento”, no domingo, removeu o “conteúdo em questão” da conta de Brandon Clark e começaram a “monitorizar a situação em tempo real” — no entanto não especifica em que altura do dia isso foi feito. Certo é que vários jornais avançaram que a imagem só foi classificada como conteúdo sensível, o que fez com que apenas fosse aplicado um filtro para a desfocar.

O Facebook adianta ainda que previu que, uma vez que o suspeito fosse identificado, os utilizadores iam começar a “tentar criar contas a fazer passar-se por ele” e, por isso, começou a “procurá-las  imediatamente e a removê-las”. “Estamos também a monitorizar as hashtags e contas que alegam compartilhar esse conteúdo, mas de acordo com nossas políticas. Por exemplo, bloqueamos a hashtag #yesjuliet, #yesjulietpicture, #checkyesjuliet, #yesjulietvideo por estarem a tentar difundir a imagem”, explicou a mesma fonte, adiantando ainda que estão a colaborar com as autoridades.

[Atualizado às 13h25 com a resposta oficial do Facebook]