A consultora CBRE reviu em alta as expectativas de investimento no mercado imobiliário português para a segunda metade do ano, fruto da confirmação de que não está para breve qualquer alteração da política monetária na zona euro — ou seja, vão continuar os juros baixos — e, também, resultado de uma procura que se mantém “muito ativa” e uma “escassez” do lado da oferta.

Em comunicado difundido esta quarta-feira, a CBRE diz que o mercado de investimento em imobiliário em Portugal se revelou “bastante dinâmico ao longo do primeiro semestre de 2019 e a expectativa é que o ritmo seja ainda mais acelerado na segunda metade do ano, prevendo-se um aumento do investimento imobiliário na ordem dos três mil milhões de euros”.

Não é provável que se supere o recorde de investimento que se registou em 2018 — 3,5 mil milhões, segundo a consultora. Mas Francisco Horta e Costa, diretor-geral da CBRE, explica que as expectativas relativamente a 2019 são hoje mais otimistas do que eram no início do ano, em que se admitia um valor inferior para o investimento anual. Se em janeiro se apontava para um valor total de investimento anual entre 2 mil milhões e 2,5 mil milhões, agora a expectativa é de um investimento entre 2,5 mil milhões e 3 mil milhões.

O diretor-geral da CBRE acrescenta que “se estas previsões se concretizarem, será o segundo ano de maior investimento imobiliário em Portugal e o quarto em que os valores superam os 2 mil milhões de euros”. E Cristina Arouca, diretora da área de research, dá uma explicação mais detalhada sobre as razões que levam a este maior otimismo por parte da consultora:

Para Cristina Arouca, entre as principais razões para o aceleramento do investimento no segundo semestre de 2019 estão “a manutenção de uma elevada liquidez por parte dos investidores e a garantia de que as taxas de juro, se vão manter inalteradas até ao final do ano, conforme anunciou o Banco Central Europeu (BCE), em março deste ano”.

“Paralelamente”, acrescenta a especialista, “os fundamentos do mercado imobiliário em Portugal continuam robustos, na medida em que a procura mantém-se muito ativa e persiste a escassez de espaços disponíveis para arrendamento, o que tem induzido uma forte subida do valor das rendas e, consequentemente, a valorização dos ativos imobiliários”.

“A atratividade do setor reflete-se, inclusivamente, no número de novos investidores, nomeadamente internacionais, que abordam diariamente a CBRE”, conclui Cristina Arouca.