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Mais de 60 anos depois de terem sido palco de testes de bombas nucleares por parte dos Estados Unidos da América, as ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, continuam a ter, em algumas partes, níveis de radioatividade mais elevados do que as áreas contaminadas pelos desastres nucleares de Chernobyl e Fukushima, segundo um estudo norte-americano. Em algumas partes, os níveis de radiação nas ilhas são entre 10 e 1000 vezes superiores aos das áreas afetadas pela explosão da central de Fukushima, em 2011, e 10 vezes superiores face aos níveis da zona de exclusão de Chernobyl.

Entre 1946 e 1958, em plena Guerra Fria, o governo norte-americano conduziu, ao todo, 67 testes nucleares em várias ilhas pequenas — chamadas atol (ilhas em forma de anel com um lago no centro). O governo norte-americano deslocou algumas povoações e expôs outras a níveis elevados de radioatividade, o que provocou doenças, como cancro.

Seis décadas depois, um estudo de investigadores da Universidade de Columbia concluiu que a radiação em quatro destes atóis permanece elevada, o que deve fazer soar as campainhas de alarme. As conclusões resultam de várias análises ao solo.

A população das ilhas Marshall é hoje relativamente pequena. Em julho de 2018, eram cerca de 75 mil os habitantes. Algumas ilhas ou atóis têm apenas algumas centenas de habitantes — o atol de Enewetak, por exemplo, tinha 664 habitantes nos censos de 2011.

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Na verdade, Enewtak era, a par da ilha de Bikini, o ‘epicentro’ dos testes nucleares, segundo os investigadores. Apesar de apenas uma fração dos 1054 testes nucleares levados a cabo pelos EUA, entre 1946 e 1992, terem tido lugar nas ilhas Marshall, as atóis de coral resistiram a mais da metade da energia total produzida em todos os testes nucleares dos EUA durante esse período.

A ilha de Bikini ficou mesmo conhecida pelos testes às bombas de hidrogénio, e a detonação de uma bomba termonuclear, em 1954. A explosão foi 1000 vezes mais forte do que as causadas pelas bombas largadas pelos EUA sobre o Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. Os atóis de Rongelap e Utirik foram significativamente afetados pela detonação.

Bikini é hoje a ilha que regista níveis mais elevados de radioatividade. Os autores do estudo recomendam, por isso, que permaneça desabitada. Os habitantes da ilha foram forçados a abandoná-la, em 1946. Os investigadores concluíram, no entanto, que algumas pessoas regressaram brevemente, no final dos anos 60, depois de os EUA a terem declarado segura, mas foram obrigados a sair pouco depois, devido à elevada exposição à radiação.

Em Enewetak, por sua vez, foi feita uma limpeza profunda, em 1980, com o objetivo de remover os resíduos radioativos. Em Rongelap os níveis de radiação estão muito acima do limite legal acordado entre a República das Ilhas Marshall e os EUA.