O secretário-geral do PCP afirmou nesta quinta-feira que o país continua a ter uma distribuição de rendimentos injusta apesar dos avanços dos últimos quatro anos e acusou o PS de voltar a encostar-se à direita para aprovar nova legislação laboral.

“Apesar dos avanços dos últimos anos, a distribuição de rendimento nacional é injusta, os salários baixos e a precariedade (no emprego) é elevada”, disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista, que falava numa sessão pública de apresentação dos candidatos da CDU às próximas eleições legislativas marcadas para 6 de outubro, em Alcácer do Sal, acusou também o PS de se encostar “ao PSD e ao CDS para impor um conjunto de malfeitorias aos trabalhadores portugueses”.

“É inaceitável. Quando o partido socialista, muitas, vezes se afirma de esquerda – e os direitos dos trabalhadores são zona de fronteira entre a esquerda e a direita -, o PS faz a opção errada: encosta-se à direita e toma protagonismo nestas alterações à legislação laboral”, acrescentou Jerónimo de Sousa.

“Ao contrário do PS, a CDU coloca como emergência nacional a valorização do trabalho e dos trabalhadores, o aumento geral dos salários, em particular do salário mínimo nacional para 850 euros, e um combate sem tréguas à precariedade, com o objetivo de que, para um posto de trabalho permanente exista um vínculo efetivo”, acrescentou Jerónimo de Sousa lembrando que é por isso que o PCP propõe creches gratuitas para todas as crianças no final da licença de parentalidade.

Perante cerca de duas centenas de apoiantes, Jerónimo de Sousa reiterou também algumas propostas já anunciadas pelo PCP, como a redução de impostos sobre os trabalhadores com salários baixos e médios, a descida do IVA de 23 para 21% e do IVA da eletricidade e do gás de 23 para 6%.

No encontro em Alcácer do Sal, o cabeça de lista da CDU no círculo eleitoral de Setúbal, atual deputado do PCP Francisco Lopes, na próxima legislatura é necessária uma melhoria dos serviços públicos, designadamente do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O que se impõe é um investimento com um plano de emergência que o PCP defende para o SNS (?), que dê garantias ao povo português, e não andar para trás numa linha de privatização e de comprometimento do SNS” disse, acrescentando que também preciso consolidar a conquista dos novos passes sociais.

“E indispensável que não apenas seja inscrito do Orçamento do Estado, mas que seja traduzido em lei o sistema de apoio que garante, de uma forma irreversível, os passes sociais nos transportes, numa perspetiva de gratuitidade”, frisou.

Na sessão pública realizada em Alcácer do Sal, o deputado e candidato do PEV, José Luís Ferreira começou por dizer que, ao contrário do que outros partidos pretendem fazer crer, as eleições legislativas não são para escolher um primeiro-ministro ou o partido mais votado, mas para eleger 230 deputad0os da Assembleia da República.

Lembrando o caso das viagens-fantasma de alguns deputados, que recebiam o reembolso de viagens que não faziam, ou às quais não se aplicava o direito de reembolso, José Luís Ferreira defendeu que, ao contrário do que também se diz muitas vezes, os partidos não são todos iguais, porque não havia nenhum deputado da CDU nesta situação.

“Nós [eleitos da CDU] sabemos onde moramos e não nos enganamos a preencher as declarações”, disse, com ironia, José Luís Ferreira.

A lista de candidatos da CDU às próximas eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Setúbal é liderada pelo atual deputado e cabeça-de-lista Francisco Lopes (PCP), a que se seguem os candidatos Paula Santos (PCP), José Luís Ferreira (PEV), Bruno Dias (PCP), Susana Espada (PCP), Rui Higino (PCP) e Margarida Botelho (PCP).