“Ran — Os Senhores da Guerra”

É a reposição do ano: “Ran — Os Senhores da Guerra”, realizado em 1985 por Akira Kurosawa, agora disponível em cópia restaurada. O realizador de “Nas Portas do Inferno”, “Os Sete Samurais” e “Yojimbo, o Invencível”, adapta aqui o “Rei Lear”, de William Shakespeare, ao ambiente, aos costumes e à sociedade do Japão medieval. Hidetora, um grande senhor, decide retirar-se e distribui as suas terras e riquezas pelos três filhos, que se vão voltar uns contra os outros e entrar em guerra, e levar Hidetora à fuga e ao desespero demencial. Kurosawa combina a tragédia shakespeareana, elementos do teatro Nô nipónico e o filme épico de samurais em “Ran — O Senhor da Guerra”, que levou dez anos a preparar. O realizador desenhou e pintou cada plano antes de começar a filmar, o que lhe foi muito útil, já que estava com problemas de visão quando a  rodagem se iniciou finalmente. O “storyboad” da fita seria depois publicado em livro.

“Anna — Assassina Profissional”

No seu novo filme depois de “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, Luc Besson recicla a história de outra realização sua, “Nikita-Dura de Matar” (1990) para a época da Guerra Fria. Anna Poliatova (a modelo russa Sasha Luss) é extraída pelo KGB a uma vida miserável e ao seu namorado drogado e delinquente, para ser transformada numa sedutora mas letal assassina ao serviço do regime comunista soviético. Servido por uma história que apresenta tantas reviravoltas como clichés dos filmes de espionagem e ação, e realizado em estilo sub-James Bond por Besson, “Anna — Assassina Profissional” rapidamente soçobra no absurdo chapado. Sasha Luss é muito bonita e elegante, mas uma negação como atriz, e Cillian Murphy e Helen Mirren interpretam estereótipos dos filmes deste género.

“O Rei Leão”

Vinte e cinco anos depois do original animado, com realização de Roger Allers e Rob Minkoff, e inevitavelmente incluído na série de novas versões em imagem real com efeitos digitais de clássicos da animação que a Disney decidiu rodar para rentabilizar o seu riquíssimo acervo deste género, surge “O Rei Leão” em versão “realista”. Ou seja, todo ele feito por computador e com câmaras de realidade virtual, e assinado por Jon Favreau, que em 2016 realizou “O Livro da Selva”. As vozes pertencem quase todas a actores diferentes dos do filme original, e a banda sonora de Elton John e Tim Rice tem três canções novas, uma delas cantada por Beyoncé e a outra pertencente à versão de musical da Broadway da fita. “O Rei Leão” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.