Cerca de trinta pessoas manifestaram-se esta quarta-feira em frente à residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, para exigir mais investimento e melhorias nos transportes públicos, nomeadamente através da contratação de mais trabalhadores.

A ação de protesto foi promovida pela Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) e juntou organizações de trabalhadores do setor dos transportes, nomeadamente sindicatos e comissões de trabalhadores, organizações de utentes e outras organizações sindicais.

“Mais navios, mais composições e melhores transportes públicos”, foram algumas das palavras de ordem inscritas nos cartazes dos manifestantes.

Um dos participantes nesta manifestação foi o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que defendeu a contratação de mais trabalhadores para aumentar a capacidade de oferta dos serviços públicos e fazer face à procura.

“Em primeiro lugar, não há prestação de serviço público sem trabalhadores. É preciso recrutar mais trabalhadores. Em segundo lugar, é preciso investir mais na renovação da frota, quer da CP quer das empresas fluviais, mas também do Metropolitano [de Lisboa] e Carris”, apontou.

O secretário-geral da GCTP defendeu ainda a necessidade de a rede do metro de Lisboa ser alargada à periferia da capital, nomeadamente ao concelho de Loures.

“A zona de Loures é uma zona de grande densidade populacional. Portanto, nós precisamos que o metropolitano lá chegue. O facto de lá chegar permite que venham mais pessoas de transporte público, impede que mais carros venham para Lisboa e também dá um bom contributo para o ambiente”, argumentou.

No mesmo sentido, o coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira, apontou para a “degradação do serviço de transportes na Área Metropolitana de Lisboa” e para o “elevado número de comboios, autocarros e barcos imobilizados”. “Nos últimos 14 anos reduziram-se 4.823 trabalhadores, que fazem falta para poder dar resposta a este aumento de procura que se está a verificar”, vincou.

Por seu turno, um dos utentes ouvidos pela Lusa queixou-se da falta de transportes públicos e do número de viaturas avariadas. “Verifico diariamente o autocarro que se avariou, o comboio que se avariou e não há maneira de sairmos disto”, queixou-se José Viegas.

No final da ação, uma comitiva da CGTP e da Fetrans deslocou-se ao Palácio de São Bento para entregar um documento com propostas para a melhoria dos transportes públicos ao primeiro ministro.