O primeiro-ministro do Kosovo, Ramush Haradinaj, antigo comandante dos separatistas armados albaneses (UÇK) durante o conflito (1998-99) demitiu-se esta sexta-feira após ser convocado pelo tribunal especial internacional de Haia na qualidade de suspeito de crimes de guerra.

“Apresento a minha demissão irrevogável do cargo de primeiro-ministro da República do Kosovo e agradeço-vos pela confiança e apoio que recebi”, explicou.

“Recebi uma convocatória do tribunal especial na qualidade de suspeito e ofereceram-me a possibilidade de comparecer na qualidade de primeiro-ministro ou de simples cidadão. Escolhi a segunda opção”, declarou Haradinaj, 51 anos, aos ‘media’ locais.

O tribunal especial internacional responsável pelo julgamento dos crimes de guerra no Kosovo entre 1998 e 2000, uma iniciativa apoiada pela União Europeia (UE), foi criado em 2015 com a missão de investigar as ações violentas cometidas pelo Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) em particular contra os sérvios, roms (ciganos) locais e opositores albaneses do UÇK durante a após o conflito de 1998-99 nesta antiga província do sul da Sérvia.

Ramush Haradinaj sublinhou que o Governo vai prosseguir em funções, mas considerou que devem ser convocadas rapidamente novas eleições legislativas.

“O Kosovo deve estar preparado para eleições. Alguns devem compreender que somos um Estado soberano. A responsabilidade cabe agora ao Presidente para organizar consultas e determinar a data das eleições. Vou de novo candidatar-me para obter a confiança [do povo]. Não estou acusado, vou ser interrogado”, declarou após uma reunião do governo.

Em meados de janeiro, este tribunal especial iniciou os interrogatórios, em Haia, de Rrustem Mustafa, (Remi) e Sami Lushtaku, dois outros ex-responsáveis do UÇK.

Os ‘media’ do Kosovo referiram que as primeiras acusações deverão ser provavelmente pronunciadas ainda em 2019 e especulam ainda que Haradinaj se encontra entre os potenciais acusados, para além do Presidente Hashim Thaçi e do chefe do parlamento, Kadri Veseli.