Não têm faltado motivos de interesse nesta edição do Tour, dos desportivos aos mais inusitados como a fuga de Rohan Dennis, da Bahrain-Mérida, que desistiu da prova e duas horas depois ainda andava desaparecido do radar da equipa. E o contrarrelógio da 13.ª etapa onde Julian Alaphilippe reforçou a camisola amarela foi também um grande dia para acompanhar a mítica Volta à França. No entanto, não há nada como uma boa montanha para colocar também as emoções num pico. E esta era especial.

Num dos pontos que diferencia o Tour das outras provas, a edição deste ano contará com um total de seis passagens em locais a mais de 2.000 metros de altitude e este sábado era a etapa que terminava em Tourmalet que prendia todos os olhares, com os ciclistas a chegarem ao topo com menos 21% de oxigénio no sangue do que ao nível do mar. “A pressão atmosférica é mais baixa do que ao nível do mar, com isso a pressão de oxigénio nos pulmões é menor e o oxigénio passa com mais dificuldades para o sangue, o que obriga o organismo a adaptar-se”, dizia ao La Vanguardia Enric Subirats, especialista em medicina de montanha. Esta era uma etapa apenas para os grandes mas Thibaut Pinot foi ainda maior.

Como contava o El Mundo este sábado, a mais emblemática montanha do Tour nasceu de uma “mentira”: de acordo com os livros históricos da prova, Alphonse Steinés, que foi enviado pelo diretor da corrida para estudar o circuito, teve de parar o carro a quatro quilómetros do topo, subiu tudo a pé, voltou umas horas depois quase congelado numa outra zona de onde enviou uma mensagem dizendo que tinha feito o reconhecimento e que o caminho era muito bom. Henri Desgrange aceitou as recomendações acreditando que eram fidedignas, Tourmalet estreou-se mesmo em 1910 na Volta a França e por lá já passaram etapas em mais de 80 edições. Em 2018, ganhou Julian Alaphilippe; este ano, foi quase como se tivesse ganho.

Ao terminar no segundo lugar, o ciclista da Deceuninck-QuickStep reforçou ainda mais o primeiro lugar da geral individual, passando agora a contar com 2.02 minutos de vantagem sobre Geraint Thomas (Ineos), vencedor do Tour no ano passado que perdeu em Tourmalet cerca de 30 segundos para a liderança. Steven Kruijswijk, da TJV Jumbo, manteve a terceira posição a 2.14 minutos depois de ter terminado quase colado a Alaphilippe. Pinot foi mesmo o único a ganhar tempo ao camisola amarela, ocupando agora o sexto lugar a 3.12 minutos num dia onde Nairo Quintana e Adam Yates caíram do top 10.