Seis medalhas de ouro em 2004, oito medalhas de ouro em 2008. As primeiras duas presenças de Michael Phelps nos Jogos Olímpicos mudaram o paradigma da natação visto de fora. A partir daí, o enfoque não começou a estar no número de pódios conseguidos ou nas finais atingidas mas sim no nome que pudesse ter a alcunha de “novo Phelps”, um pouco à semelhança do que acontece no atletismo onde, mais do que descobrir quem é o rei dos 100 metros, procura-se um nome para ser o “novo Bolt”. No setor masculino, depois dos últimos Mundiais, Caeleb Dressel atingiu esse estatuto – e começou os Mundiais de 2019 com um ouro na estafeta de 4×100 livres; na parte feminina, a candidata Missy Franklin acabou por não conseguir sair de uma espiral de lesões que motivou a retirada antecipada e Katie Ledecky, de 22 anos, ficou como a menina prodígio da natação americana.

Depois dos cinco ouros e mais uma prata nos Mundiais de 2017, em Budapeste, onde sofreu a única derrota em grandes provas internacionais diante da italiana Federica Pellegrini nos 200 metros livres, o objetivo de Ledecky para a edição que arrancou este domingo em Gwangju, na Coreia do Sul, passava por melhorar o registo feito há dois anos. Ou seja, trocado por miúdos, ir a seis finais e conseguir outros tantos primeiros lugares, a começar pelos 400 metros livres onde tem o recorde mundial e em 2017 ganhara com mais de três segundos de avanço da compatriota Leah Smith. E foi logo aqui que essa meta se esfumou.

Na final realizada este domingo, a mais disputada entre as quatro deste primeiro dia, Ledecky (3.59,97) acabou por ser surpreendida por uma promessa australiana de 18 anos que se mostra cada vez mais como certeza: Ariarne Titmus, que tinha apenas um bronze em Mundiais de Piscina Longa na estafeta de 4x200m livres e dois ouros nos últimos Mundiais de Piscina Curta nos 200 e nos 400 metros (além de mais dois bronzes, nas estafetas), causou a surpresa do dia ao conquistar o triunfo com o tempo de 3.58,76, naquele que é um novo recorda da Oceânia. Leah Smith fechou o pódio da prova.

Nascida na Tasmânia, Ariarne, que conseguiu superar Ledecky nos últimos 20 metros da prova com uma ponta final fortíssima que surpreendeu a americana, mudou-se ainda nova com a família para Queensland em busca de melhores oportunidades de treino e teve como ponto alto a nível de marcas o recorde mundial dos 400 metros livres em Piscina Curta com o tempo de 3.53,92 nos últimos Campeonatos do Mundo em Hangzhou, superando o anterior registo de Wang Jianjiahe.

Nas outras finais do dia, Sun Yang conquistou mais uma medalha de ouro nos 400 metros livres, derrotando com o tempo de 3.42,44 o australiano Mack Horton (3.43,17) e o italiano Gabriele Detti (3.43,23, novo recorde transalpino); os Estados Unidos ganharam os 4×100 livres masculinos tendo na equipa Caeleb Dressel, Blake Pieroni, Zach Apples e Nathan Adrian com novo recorde em Mundiais de 3.09,06, à frente de Rússia (3.09,97) e Austrália (3.11,22); e a Austrália venceu os 4×100 livres femininos (com Bronte Campbell, Brianna Throssell, Emma McKeon e Cate Campbell) também com a melhor marca em Mundiais (3.30,21), derrotando os Estados Unidos (3.31,02) e o Canadá (3.31,78). O britânico Adam Peaty também esteve em destaque ao melhorar o seu recorde mundial nos 100 metros bruços, no decorrer das meias-finais.