A lesão de Loum logo no primeiro quarto de hora do encontro do FC Porto com o Betis foi um momento que se transformou em três: 1) as lágrimas do médio que chegou ao Dragão vindo do Moreirense mostraram bem a frustração de querer mostrar trabalho e não conseguir por motivos físicos após seis meses onde quase nunca foi opção; 2) a reação de todos os companheiros perante o infortúnio do senegalês revelaram o ambiente de proximidade e cumplicidade que se vive no plantel azul e branco, em estágio no Algarve nos últimos dias; 3) a confirmação de que se tratava de uma microrrotura na coxa obrigou os responsáveis portistas a equacionarem de novo as prioridades imediatas de reforço do plantel além do guarda-redes que está por chegar.

É aqui que entra Romário Baró. Depois de ter saído do Sporting para uma curta passagem pelo Sacavenense, o médio ofensivo chegou ainda como iniciado ao FC Porto para completar todo o trajeto na formação que terminou com a inédita conquista da Youth League a que se juntou ainda o título de campeão nacional na última jornada. Quase de forma automática, o internacional Sub-19 ganhou o passaporte para a pré-temporada no conjunto principal e conseguiu validar o visto para se manter nas opções de Sérgio Conceição com o que tem feito nos treinos e nos jogos. Esta noite, mais uma vez, cumpriu. Cumpriu e cumpriu bem. Com um pormenor que mostrou também ao que vem: quando Pepe apontou o golo do empate, e enquanto Alex Telles tentava juntar toda a equipa na celebração, o instinto de Romário foi tentar acelerar o regresso ao meio-campo para reatar a partida.

Qualidades técnicas e táticas à parte, o médio ofensivo tem valências importantes nesta fase precoce da época, nomeadamente uma que Sérgio Conceição tem tendência para valorizar: tão depressa pode atuar à frente de Danilo Pereira no meio-campo, como um ‘8’ mais puro, como pode surgir mais próximo do avançado fechando o corredor central a três sem bola, como pode começar como falso ala e ir fazendo movimentações mais dentro ou fora consoante as necessidades. Mas além dele também há Fábio Silva, mais novo mas com igual potencial para vingar. Sendo que, neste caso, destaca-se sobretudo uma característica: o instinto goleador. Como se viu ao longo de 45 minutos com o Betis na passada sexta-feira, o avançado de 17 anos que chegou a passar pelo Benfica sabe recuar, sabe abrir jogo e sabe combinar de forma mais posicional mas tem feito a diferença no número de golos que consegue apontar. E foi dele o 2-1 frente ao Getafe que valeu mais um troféu de pré-época ao FC Porto.

Mas o encontro nem começou da melhor forma para os azuis e brancos, que perderam Soares logo nos primeiros minutos depois de uma entrada mais dura que acabou por tirar de jogo o brasileiro. Entrou Zé Luís, continuaram como destaques Romário Baró e Luis Díaz: o internacional Sub-19 esteve em duas das melhores jogadas coletivas da equipa, lançando Corona primeiro numa diagonal (16′) e depois na direita, num lance que terminou com um remate de Danilo Pereira para defesa de Chichizola (30′); já o colombiano desperdiçou as duas melhores oportunidades (22′ e 45′), a última quando tinha a baliza aberta para encostar após assistência de Zé Luís mas com o remate a sair enrolado e ao lado. Pelo meio, numa das poucas chances no primeiro tempo, o Getafe inaugurou mesmo o marcador por Leandro Cabrera, de cabeça após canto (39′).

O FC Porto saía a perder para o intervalo, tendo mais uma boa hipótese por Sérgio Oliveira nos descontos, mas não demorou a reentrar no resultado: depois de uma boa intervenção de Yañez a remate de Luis Díaz, Pepe aproveitou um canto ao segundo poste na esquerda batido por Sérgio Oliveira para fazer o 1-1 logo aos 52′. O encontro entraria depois numa fase mais quezilenta sem tantos motivos de interesse até que, de novo no seguimento de um canto agora batido por Alex Telles, Fábio Silva, que entrara para o lugar de Corona, encostou para o 2-1 após primeiro remate de Zé Luís com defesa incompleta de Yañez. Em menos de uma semana, e depois do triunfo frente ao Fulham, os dragões conquistaram mais um troféu numa pré-temporada marcada pela boa adaptação de reforços como Luis Díaz ou Zé Luís e pela afirmação de jovens como Romário Baró ou Fábio Silva.