A ministra da Administração Estatal de Moçambique, Carmelita Namachulua, apelou a um “ponto de equilíbrio” entre o Instituto Nacional de Estatística (INE) e os órgãos eleitorais em relação à discrepância dos resultados do recenseamento eleitoral na província de Gaza.

“Estamos a acompanhar, mas sabemos muito bem que tanto o STAE, a CNE e o INE trabalham e tem credibilidade, por isso vamos deixar para que, efetivamente, essas instituições possam encontrar um ponto de equilíbrio”, disse a ministra, citada hoje pelo canal privado STV.

Em causa estão os dados do recenseamento eleitoral apurados pelos órgãos eleitorais, que, para o INE, só farão sentido nas projeções da população da província de Gaza, sul de Moçambique, em 2040.

Os órgãos eleitorais moçambicanos recensearam cerca de 230 mil eleitores a mais do que o número da população em idade eleitoral na província de Gaza.

O INE e a Comissão Nacional de Eleições afirmaram a imprensa que os seus resultados são fiáveis.

O número de eleitores apurados em Gaza faz da província a única em Moçambique que conseguiu registar um número acima da população em idade eleitoral, o que pode ter um impacto nos resultados da votação nas eleições gerais de 15 de outubro.

A província de Gaza vota normalmente na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e a discrepância dos dados do recenseamento é visto como resultado de tentativa de manipulação do registo a favor desta organização política.