Ryan Adams voltou a falar na sequência das acusações de abuso emocional, abuso de poder e assédio sexual que lhe foram impiutadas por várias mulheres, entre as quais a compositora e cantora Phoebe Bridgers, a sua ex-mulher — atriz e também cantora e escritora de canções — Mandy Moore e uma rapariga que era menor de idade quando conheceu Adams na internet.

O cantor e músico norte-americano publicou um longo texto na rede social Instagram, que começa assim: “Tenho muito para dizer. Vou dizê-lo. Em breve. Porque a verdade importa. É o que mais importa. Sei quem sou. Sei o que sou. É altura de as pessoas saberem”.

Toda a beleza na vida não pode ser reduzida a destroços por causa da confusão e por se ignorarem verdades. Essas coisas destroem todo o bem que há em nós. Esta loucura e estes mal-entendidos — já temos suficiente disso no mundo”, prosseguia Ryan Adams na nota oficial.

Defendendo ainda que teve sempre a intenção de que o seu trabalho fosse “um mapa para quem está perdido”, o cantor e músico prometeu que vai voltar àquilo que faz “de melhor”, isto é, a compor e a editar música: “Estou aqui pela música, pelo amor e por poder tornar as coisas melhores”.

A nota, na qual Ryan Adams recorda ainda que não teve “uma vida fácil” e que ficou marcado pelo trauma da morte de um irmão, terminava assim: “Acreditem nas mulheres. Acreditem na verdade. Mas nunca desistam de ser parte das soluções e da cura. (…) Obrigado pela vossa simpatia e apoio. Pela primeira vez, precisei de decidir como poderia fazer parte de um amanhã melhor para todos.”

Às vezes essa paz chega com abrirmo-nos. Essa é a pessoa que quero ser”, referia ainda o texto, que terminava com: “Com amor e com fé — em todos nós, no nosso melhor e nas nossas falhas —, RA”.

Em fevereiro, o jornal norte-americano The New York Times publicava um artigo que reunia vários testemunhos de mulheres que acusavam Ryan Adams de abuso emocional, conversas e exposição sexual desapropriada com uma jovem menor de idade (que não revelou ao cantor a sua verdadeira idade à data) e aproveitamento do seu poder na indústria musical para seduzir e assediar jovens artistas.

As primeiras reações de Ryan Adams, imediatamente após a publicação do artigo, foram difusas: o músico admitia “não ser perfeito e ter cometido erros”, pedia desculpa “profundamente e sem reservas” a quem pudesse “ter magoado, ainda que sem intenção” de o fazer, mas negava a veracidade de parte dos testemunhos de alegadas vítimas.

Dizia Ryan Adams há cinco meses: “A imagem que este artigo transmite é perturbadoramente errada. Alguns dos detalhes estão deturpados, alguns estão exagerados, alguns são completamente falsos. Nunca teria interações desapropriadas com alguém que pensasse que era menor de idade. Ponto final. Como alguém que tentou sempre espalhar alegria através da minha música e da minha vida, ouvir que algumas pessoas acreditam que lhes causei dor entristece-me muito. Estou decidido a trabalhar no sentido de ser o melhor homem que puder ser. E desejo a todos compaixão, compreensão e conciliação”.

Na sequência da polémica, o músico decidiu adiar o lançamento de um novo álbum cuja edição estava prevista para 19 de abril. O adiamento foi “indefinido”, mas a mensagem agora publicada pelo músico sugere que, após cinco meses de silêncio, Ryan Adams irá (pelo menos tentar) voltar a estar ativo no meio musical.