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Fundo Monetário Internacional

FMI volta a descer previsão de crescimento mundial, para 3,2% este ano

O Fundo Monetário Internacional manteve a previsão de crescimento na zona euro em 1,3% este ano, subindo em uma décima para 1,6% a estimativa para 2020. Alemanha talvez apresente uma "ligeira baixa".

Para o PIB dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, o FMI desceu a previsão de crescimento para 4,1% este ano (menos 0,3 pontos percentuais que em abril), e 4,7% em 2020 (menos uma décima)

JIM LO SCALZO/EPA

O FMI voltou nesta terça-feira a rever em baixa a previsão de crescimento da economia mundial para 3,2% este ano e 3,5% em 2020, menos 0,1 pontos percentuais em ambos os casos face à estimativa de abril.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia mundial cresça 3,2% este ano, depois da expansão de 3,6% em 2018, recuperando para um crescimento de 3,5% em 2020.

Trata-se de estimativas que estão 0,1 pontos percentuais abaixo das projeções de abril para os dois anos, revela nesta terça-feira a instituição na atualização do seu ‘World Economic Outlook’.

Já no relatório divulgado em 09 de abril, o Fundo tinha revisto em baixa a sua estimativa para o crescimento da economia mundial para 3,3% em 2019, menos 0,2 pontos percentuais face à estimativa de janeiro, mantendo a previsão de uma expansão de 3,6% para 2020.

“O crescimento global permanece subjugado. Desde o relatório de abril, os Estados Unidos aumentaram ainda mais as tarifas sobre algumas importações chinesas e a China retaliou aumentando as tarifas sobre um conjunto de importações norte-americanas”, indica o FMI.

A instituição adianta que “as cadeias de abastecimento de tecnologia à escala global foram ameaçadas pela perspetiva de sanções dos Estados Unidos, a incerteza relacionada com o Brexit continuou e o aumento das tensões geopolíticas agitou os preços da energia”.

O FMI indica também que a recuperação do crescimento económico projetada para 2020 “é precária” e presume uma estabilização nas economias emergentes e em desenvolvimento e “progressos no sentido de uma resolução de diferenças na política comercial”.

O Fundo indica também que, nos últimos meses, quer o investimento quer a procura por bens duradouros foram moderados quer nas economias avançadas quer nas emergentes, com empresas e famílias a continuarem a adiar despesas com impacto no longo prazo.

Para o Produto Interno Bruno (PIB) das economias desenvolvidas, o FMI antecipa um crescimento de 1,9% este ano (mais uma décima que em abril) e de 1,7% em 2020 (a mesma previsão do relatório anterior).

Para a zona euro, a instituição manteve em 1,3% a previsão de crescimento este ano, antecipando uma expansão de 1,6% em 2020 (mais 0,1 pontos percentuais que em abril).

O Fundo adianta que a previsão para este ano é revista “ligeiramente em baixa para a Alemanha” (menos uma décima para 0,7%), “devido a uma procura externa mais fraca que o previsto, o que também pesa no investimento”. Mas para 2020 o Fundo antecipa uma expansão da economia alemã de 1,7%, mais 0,3 pontos percentuais do que previa em abril.

Para França o Fundo manteve a previsão de crescimento de 1,3% em 2019 e 1,4% em 2020, indicando que espera que “as medidas orçamentais apoiem o crescimento” e que os efeitos negativos das ações de protesto se estão a dissipar.

Também para Itália, o FMI deixou inalterada a sua previsão de crescimento de 0,1% este ano, indicando que as perspetivas relativas às incertezas orçamentais são similares às de abril, condicionando o investimento e a procura interna. Já para 2020, o Fundo desceu em uma décima a previsão de crescimento económico para 0,8%.

Para Espanha, o FMI reviu em alta (mais 0,2 pontos percentuais) a previsão de crescimento para 2,3% este ano, a refletir “o forte investimento e as fracas importações no início do ano”. Para 2020, a instituição antecipa uma expansão do PIB espanhol de 1,9% (estimativa inalterada face a abril).

“Prevê-se que o crescimento da zona euro recupere no resto do ano e em 2020, com a procura externa a recuperar e fatores temporários (incluindo a queda nas matrículas de carros alemãs e os protestos de rua em França) a continuarem a dissipar-se”, indica o Fundo no relatório hoje divulgado.

Para a economia do Reino Unido, o FMI antecipa que deve crescer 1,3% este ano (uma décima acima do previsto em abril) e 1,4% em 2020 (a mesma previsão anterior), a refletir o desempenho “mais forte do que o esperado no primeiro trimestre, impulsionado pela acumulação pré Brexit de inventários e estoques.

O Fundo refere que as suas previsões pressupõem um Brexit ordenado seguido por uma transição gradual para o novo regime, apesar de indicar que à data, “em meados de julho a forma como decorrerá a saída do Reino Unido da União Europeia permanece altamente incerta”.

Para o PIB dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, o FMI desceu a previsão de crescimento para 4,1% este ano (menos 0,3 pontos percentuais que em abril), e 4,7% em 2020 (menos uma décima).

No relatório divulgado nesta terça-feira, o FMI indica também que “os riscos para as previsões são sobretudo negativos” e incluem um adensar das tensões comerciais e tecnológicas que penalizam o sentimento dos agentes económicos e abrandam o investimento, um aumento prolongado da aversão ao risco, que exponha a continuação das vulnerabilidades financeiras acumuladas após anos de juros baixos.

E outro risco identificado pelo FMI são “as crescentes pressões desinflacionárias que aumentam as dificuldades do serviço da dívida, restringem o espaço da política monetária para conter o abrandamento económico e tornam os choques adversos mais persistentes que o normal”.

Neste sentido, o Fundo indica que “ações políticas multilaterais e nacionais são vitais para fortalecer o crescimento global”.

Relativamente à política orçamental, o FMI considera que, nas economias avançadas, deve ter em conta vários objetivos: favorecer a procura conforme necessário, proteger os mais vulneráveis, reforçar o crescimento económico potencial com despesas que apoiem reformas estruturais e assegurar contas públicas sustentáveis no médio prazo.

“As prioridades em todas as economias passam por aumentar a inclusão, fortalecer a resiliência e abordar as restrições ao crescimento do produto potencial”, destaca o Fundo.

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