Rádio Observador

Assalto em Tancos

Azeredo Lopes sabia que estava a “beneficiar e proteger criminosos”

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Ministério Público escreve no despacho de apresentação do arguido, o ex-ministro Azeredo Lopes, que este exerceu o cargo público "de forma perversa".

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

José Alberto Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa, exerceu o cargo “de forma perversa, bem sabendo que estava a beneficiar e proteger criminosos” no caso do roubo das armas de Tancos. A acusação é feita no despacho de apresentação do arguido ao juiz de instrução, noticiado esta quarta-feira pelo Correio da Manhã.

“O arguido Azeredo Lopes exerceu os poderes de facto decorrentes do exercício do seu cargo público de forma perversa, bem sabendo que estava a beneficiar e proteger criminosos, condutas que sabia ser de extrema gravidade, sendo proibidas e punidas pela lei penal”, pode ler-se no documento.

A tese dos procuradores é que Azeredo Lopes teve “pleno conhecimento” de que elementos da Polícia Judiciária Militar, como os então diretor Luís Vieira e porta-voz Vasco Brazão, e elementos da GNR de Loulé, “fizeram várias diligências junto de um indivíduo que estava na posse do material subtraído e com quem negociaram a entrega do mesmo, contra a promessa da sua impunidade.” Azeredo Lopes terá sido informado por Luís Vieira a 4 de agosto de 2017, segundo os procuradores, do plano da PJM de negociar a entrega das armas.

Os procuradores argumentam que o ex-ministro tinha consciência de que estava em causa a prática de crimes e ilícitos disciplinares, mas não os denunciou às autoridades, com a intenção de permitir a recuperação das armas roubadas.

A revista Sábado já tinha escrito, na semana passada, que o Ministério Público suspeita que Azeredo Lopes, então ministro da Defesa Nacional, esteve a par dos planos da Polícia Judiciária Militar para recuperar o material de guerra roubado dos paióis militares de Tancos na madrugada de 28 de junho de 2017.

Os procuradores que investigam o caso dizem ter indícios de que o ex-ministro não só esteve “ciente” de que a Polícia Judiciária Militar (PJM) terá feito uma “investigação paralela à revelia” da Polícia Judiciária (PJ) e do MP, como também saberia das negociações ilícitas que a Judiciária Militar, com a ajuda da GNR de Loulé, terá tido com o líder dos assaltantes a Tancos.

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