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Incêndios

Especialista defende combate aos incêndios por entidade única com corpo mais profissionalizado

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Joaquim Sande Silva considera necessária uma mudança no combate aos fogos. Defende uma entidade mais profissionalizada. Desde 2017 que o sistema de combate aos incêndios não sofre alterações.

O especialista em ecologia do fogo Joaquim Sande Silva defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de "uma revolução" no combate aos incêndios

PAULO NOVAIS/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O especialista em ecologia do fogo Joaquim Sande Silva defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de “uma revolução” no combate aos incêndios, com a criação de uma única entidade responsável pelo dispositivo de prevenção e combate, com um corpo mais profissionalizado.

“A minha opinião é que era muito necessário existir uma única entidade responsável pelo dispositivo de prevenção e combate a incêndios, um único ‘dono do problema’ que conseguisse constituir um corpo operacional mais profissionalizado, mais especializado e que cobrisse todos os aspetos a prevenção e combate”, defendeu Joaquim Sande Silva, um dos 12 peritos que integraram a Comissão Técnica Independente de análise aos incêndios da região Centro que deflagraram a 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande (distrito de Leiria).

O especialista salientou que não existem informações conjunturais em relação ao fogo do passado fim de semana em Vila de Rei e que é preciso esperar pelo relatório que será feito para apurar as razões por que progrediu daquela forma.

No entanto, considerou que o sistema de combate aos incêndios não teve grandes alterações desde 2017, pelo que não se podem esperar resultados diferentes.

“O sistema não sofreu propriamente uma revolução e nem isso era recomendado pelo relatório da comissão técnica independente que o Governo tem tentado seguir”, disse, sublinhando que “os protagonistas dos combates continuam a ser os mesmos”, com “as mesmas competências, a mesma atitude, a mesma disciplina e a mesma organização”.

Sande Silva realçou que a criação de um corpo mais profissionalizado foi uma proposta apresentada em 2005, na sequência dos incêndios de 2003, “e foi rejeitada”.

“Eu continuo a achar que é aquilo que falta ao sistema em Portugal, mas nem toda a gente está de acordo com isso. Acho que, mais tarde ou mais cedo, temos de evoluir para aí. Os espanhóis já evoluíram para aí há muito tempo, outros países evoluíram nesse sentido”, considerou.

Por outro lado, o também professor da Escola Superior Agrária de Coimbra defendeu que a solução para o problema dos fogos em Portugal não está “no ordenamento do território, nem no ordenamento florestal”.

“Se estamos à espera disso, bem pode arder o país. Não há nenhum país no mundo que tenha conseguido resolver a nível nacional ou alterar de forma notável a performance do sistema em termos da diminuição das estatísticas de incêndios com base na gestão do território e na gestão dos combustíveis”, disse.

Sande Silva realçou que esta estratégia de ordenamento “pode ser feita pontualmente em zonas estratégicas com vista à proteção de infraestruturas e ações de proteção civil”, mas em nenhum país conseguiu “alterar o comportamento global dos incêndios e mudar de forma significativa as estatísticas dos incêndios com base no ordenamento do território e floresta”.

“Se há alguma coisa a ser mudada, tem que ser na área do combate, na área da deteção de incêndios mais eficaz, redução drástica das ignições. Tem de ser por aí. Não podemos estar constantemente a atirar o ónus para a vegetação e para os combustíveis, à espera de uma realidade que nunca vai chegar”, concluiu.

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco ao início da tarde de sábado. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda no sábado, ao concelho de Mação, distrito de Santarém, tendo sido dominado na terça-feira.

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