O hospital de Serpa, gerido pela Misericórdia, vai ter uma unidade médico-cirúrgica, num investimento de 3,7 milhões de euros, para substituir o bloco operatório desativado há 14 anos e reduzir listas de espera do Serviço Nacional de Saúde.

Trata-se de uma unidade médico-cirúrgica “construída de raiz e na vanguarda da tecnologia”, que vai substituir o bloco operatório do Hospital de São Paulo, desativado em 2005, disse nesta quarta-feira à agência Lusa António Sargento, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Serpa (SCMS), no distrito de Beja.

Além de operar utentes de vários subsistemas de saúde, um dos “objetivos fortes” da unidade é “dar resposta a necessidades e reduzir listas de espera para cirurgias do Serviço Nacional de Saúde” (SNS), sobretudo dos hospitais do Alentejo e do Algarve, frisou.

Por outro lado, adiantou, a unidade também poderá operar utentes do SNS de outras regiões desde que estejam referenciados para cirurgia, tenham recebido um vale cirurgia e escolham o Hospital de São Paulo para serem operados.

A resposta a necessidades do SNS, explicou, será dada no âmbito do acordo de cooperação celebrado em 2014 e que permitiu passar em 2015 a gestão do Hospital de São Paulo da esfera pública, a cargo da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, integrada no SNS, para a do setor social, feita pela SCMS.

Através de uma adenda ao acordo, assinada em 2018, a abrangência do Hospital de São Paulo, que continua a ser uma reposta do SNS, mas é gerido pela SCMS, foi alargada a utentes dos hospitais e centros de saúde públicos dos distritos de Beja, Évora e Faro.

Desta forma, quando não tiverem capacidade de resposta, aqueles hospitais e centros de saúde podem enviar utentes para receberem cuidados no Hospital de São Paulo, nomeadamente consultas externas, cirurgias, meios complementares de diagnóstico e terapêutica e atendimentos de urgência e nas especialidades de cardiologia, otorrinolaringologia, dermatologia, oftalmologia, ortopedia, urologia e radiologia.

A unidade, que começou a ser construída em junho, fora do edifício do Hospital de São Paulo e num terreno junto à Unidade de Cuidados Continuados de Sra. de Guadalupe, gerida pela SCMS, deverá ficar concluída até ao final deste ano e começar a funcionar no início de 2020, disse o provedor.

Segundo António Sargento, a unidade vai ter uma sala cirúrgica e 12 camas e realizar cirurgias nas especialidades de cardiologia, dermatologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia e urologia.

O projeto de construção e equipamento da unidade implica um investimento de 3,7 milhões de euros, que será financiado através de um empréstimo bancário contraído pela SCMS e pela União das Misericórdias Portuguesas e deverá ser candidatado a cofinanciamento comunitário.

António Sargento disse também que o Hospital de S. Paulo vai ter a funcionar, a partir de sexta-feira, no seu edifício, um Centro de Cardiologia, onde serão prestadas consultas e feitos exames complementares de diagnóstico da especialidade, como ecocardiograma, eletrocardiograma, holter, prova de esforço e monitorização ambulatória da pressão arterial.