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Brasil

Polícia brasileira nega existência de investigação sobre jornalista Glenn Greenwald

O diretor-geral da Policia Federal brasileira negou a existência de qualquer investigação criminal contra Greenwald, um dos jornalistas responsáveis pela investigação à imparcialidade da Lava Jato.

As denúncias levantam dúvidas sobre a atuação do antigo magistrado, Sérgio Moro, e dos procuradores brasileiros

OLE SPATA/EPA

A Polícia Federal do Brasil negou, na terça-feira, a existência de qualquer investigação criminal contra o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, coautor de reportagens que levantaram dúvidas sobre a imparcialidade da Operação Lava Jato.

Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana, é fundador e editor do portal de jornalismo de investigação The Intercept.

Recentemente, Greenwald e outros jornalistas têm vindo a revelar informações de um novo escândalo que ficou conhecido como “Vaza Jato”, em que revelaram alegadas mensagens do juiz Sérgio Moro para os procuradores do processo Lava Jato, podendo pôr em causa a imparcialidade da maior operação contra a corrupção já realizada no Brasil.

Na terça-feira, o diretor-geral da Policia Federal brasileira, Maurício Valeixo, negou a existência de qualquer investigação criminal contra Greenwald, numa resposta enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa uma ação ajuizada pelo partido político Rede Sustentabilidade.

A Rede Sustentabilidade pediu ao STF que impedisse uma eventual investigação sobre a vida e os dados bancários de Greenwald, depois do portal O Antagonista ter divulgado informações, citando fonte anónima da Polícia Federal, sobre um inquérito sigiloso iniciado para investigar a vida do jornalista norte-americano.

As reportagens do The Intercept sobre a Lava Jato começaram em 9 de junho e desde então têm mobilizado a opinião pública no Brasil.

Baseadas em informações obtidas de fonte anónima, estas reportagens dizem que o ex-juiz e atual ministro da Justiça do país, Sérgio Moro, terá orientado os procuradores da Lava Jato, indicado linhas de investigação, cobrado manifestações públicas e adiantado decisões enquanto era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

Moro e os procuradores da Lava Jato, por seu turno, negam terem cometido irregularidades e fazem críticas às reportagens do The Intercept e seus parceiros (Folha de S. Paulo, revista Veja, El País e o jornalista Reinaldo Azevedo), afirmando que são sensacionalistas e usam conversas que podem ter sido adulteradas e foram obtidas através de crime cibernético.

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