Será o fim da disputa comercial com os Estados Unidos da América? Depois de Trump ter manifestado o seu desagrado, no ano passado, por aquilo que considera ser um enorme deficit na relação comercial entre os EUA e a Europa, no que respeita às tarifas de importação de veículos, a União Europeia sentou-se à mesa das negociações.

Os automóveis made in USA comercializados no Velho Continente são alvo de uma taxa de importação de 10%, enquanto na situação inversa os EUA cobram apenas 2,5%. A situação altera-se no caso dos grandes SUV e pick-ups em que as exportações europeias pagam 25%, contra os mesmos 10% das americanas – daí a opção da Mercedes e da BMW, por exemplo, de terem nos EUA fábricas para esse tipo de veículos.

Perante este desequilíbrio, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou em Maio aumentar o imposto entre 20 e 25%, para pressionar os europeus a nivelar as taxas alfandegárias, devendo a sua decisão final acerca desta matéria ser tomada até Novembro. Mas, entretanto, a “ameaça” parece ter surtido efeito para os lados da Alemanha, pois o ministro da Economia germânico, Peter Altmaier, propõe agora uma solução para acabar com o diferendo: taxa “zero” para os carros importados dos EUA.

Caso esta proposta venha a ser reiterada pela União Europeia, há fabricantes que saem mais beneficiados que outros. Do lado de lá do Atlântico, torna-se evidente que quem sairia mais a ganhar com esta “borla” fiscal seria a Tesla, pois esta é a marca norte-americana que maior crescimento regista nos mercados europeus, superando mesmo “gigantes” da indústria há muito estabelecidos, como é o caso da Ford que, para mais, tem fábricas em diferentes países europeus. Fazendo um cálculo rápido, teríamos o Tesla Model 3 a baixar entre 4.000 e 6.000€, consoante as versões, para os Model S e X ficarem igualmente mais acessíveis em cerca de 10.000€.

Já do lado de cá do Atlântico, os construtores alemães seriam os mais favorecidos, pois especialmente a BMW, a Mercedes e a Audi teriam muito a perder se Trump avançasse com o referido agravamento das tarifas de importação.