Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) desenvolveram uma solução que, através da monitorização remota e contínua de mangueiras submersas, permite detetar eventuais fugas de combustível e evitar desastres ambientais.

A tecnologia, intitulada Underwater Wireless Sensor Network (UnWSN) e desenvolvida desde junho de 2018, visa “monitorizar” as mangueiras submersas que são utilizadas no transporte de fluidos como crude e água salgada pela indústria petrolífera.

Em declarações à Lusa, Rui Campos, investigador do INESC TEC, explicou que esta solução “vem dar resposta a um problema”: a monitorização periódica das mangueiras submersas que são usadas entre os navios e as refinarias, e nas plataformas petrolíferas em alto mar.

“Neste momento essa monitorização é realizada recorrendo a mergulhadores profissionais, com os inerentes custos elevados, periodicidade de monitorização muito limitada e impossibilidade de monitorização a grandes profundidades”, afirmou.

Esta solução vem, por isso, permitir que a monitorização “seja feita quer em águas pouco profundas quer em águas profundas, a custos significativamente menores e em tempo real“, salientou Rui Campos, coordenador da área redes sem fios do INESC TEC.

O UnWSN, ao tratar-se de uma solução de comunicações sem fios, permite que as atuais ferramentas utilizadas, como as comunicações acústicas ou os rádios com alcances limitados, sejam substituídas por sensores, instalados em mangueiras com um comprimento até 150 metros durante vários anos.

Segundo Rui Campos, esta solução pode vir a desempenhar “um papel verdadeiramente pioneiro” na indústria petrolífera que tipicamente dependa da utilização de vários equipamentos submersos. Mas não só, também no setor das eólicas ‘offshore’ e da aquacultura ‘offshore’, esta solução poderá vir a ter um grande impacto.

“Esta solução poderá ter impacto no âmbito da monitorização em tempo real de objetos ou equipamentos submersos, quer em ambiente fluvial quer em ambiente marítimo”, frisou.

À Lusa, o investigador disse ainda que, no âmbito do UnWSN, já foram submetidos dois pedidos de patente, estando neste momento à espera de respostas de modo a que a solução possa vir a ser aplicada na indústria.