“Tony”

Desenganem-se os que pensam que vão encontrar aqui um trabalho objetivo de análise e explicação do fenómeno que é Tony Carreira. Este documentário de Jorge Pelicano é um panegírico feito para assinalar os 30 anos de carreira do cantor e a sua saída de cena (não se percebe se para sempre, se provisoriamente), e está apontado certeiramente às suas fãs e devotas (e que devoção: uma das maiores admiradoras de Tony confessa preferir cortar na comida a não ter dinheiro para os bilhetes dos concertos do seu ídolo).

Do passado anónimo na emigração em França e dos concertos como vocalista do grupo 5 Irmãos nos anos 80, até à fama e ao recente mega-espectáculo de “despedida” na Altice Arena, “Tony” resume-se a um desfile das muitas virtudes do retratado, que pouco mais tem a dizer do que banalidades e lugares-comuns sobre a sua vida, a sua carreira e o seu sucesso (os restantes entrevistados afinam pelo mesmo diapasão), o que torna as duas horas do filme excessivas para tão pouca substância. O caso dos plágios é tratado pela rama, e favoravelmente a Tony (claro), e a única verdadeira ousadia de “Tony” é mostrar o cantor a fumar a sua cigarrada, e por mais do que uma vez.

“Domino: A Hora da Vingança”

A mais recente realização de Brian De Palma foi paga com dinheiro dinamarquês e rodada na Dinamarca e em vários outros países europeus, tal como o realizador, afastado de Hollywood, tem vindo a fazer nos últimos anos. Entre os principais intérpretes estão dois atores vistos na série “A Guerra dos Tronos”, Nicolaj Coster-Waldau e Carice van Houten. A história de “Domino: A Hora da Vingança” põe o dedo em cima da ferida da actualidade: o terrorismo islâmico. Coster-Waldau interpreta Christian, um agente da polícia de Copenhaga a quem um indivíduo que aparenta ser um terrorista assassina o parceiro e foge, levando a arma deste. Acompanhado por uma colega, Alex (Carice van Houten), Christian põe-se no encalce do criminoso através da Europa, mas afinal nada é o que parece neste caso. “Domino: A Hora da Vingança” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.