A chegada de Boris Johnson ao governo levou a chefe do governo autónomo escocês, Nicola Sturgeon, a exigir vigorosamente um novo referendo sobre a independência da província britânica.

Numa carta endereçada ao novo primeiro-ministro britânico, a líder do Partido Nacionalista Escocês Sturgeon previu que Johnson será “o último primeiro-ministro do Reino Unido” (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) e afirmou ser “mais importante do que nunca” que a Escócia tenha uma alternativa para o Brexit.

Em abril passado, o governo escocês anunciou a intenção de promover um novo referendo de independência para a Escócia antes do final da atual legislatura em 2021, procurando inverter o resultado da consulta feira em 2014, quando 55% dos eleitores se opuseram à independência escocesa.

Em 2016, no referendo sobre o Brexit, 62% dos escoceses apoiaram a permanência na União Europeia, algo que Sturgeon considerou um argumento para a Escócia ter um estatuto diferente. Um estudo recente do governo escocês estimou que um Brexit sem acordo poderia resultar na perda de 100.000 postos de trabalho na Escócia.

No entanto, o chefe do executivo britânico defendeu esta quinta-feira, durante o seu primeiro discurso na Câmara dos Comuns, que se o Reino Unido fosse capaz de executar um Brexit razoável, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) ficaria sem argumentos para pedir um novo referendo.

Eles continuariam a dizer seriamente que a Escócia deve aderir ao euro? Será que eles realmente argumentam que a Escócia se deve submeter a toda a panóplia das leis europeias?”, questionou Johnson.

O líder dos nacionalistas escoceses no parlamento de Westminster, Ian Blackford, respondeu a Johnson, insistindo que Sturgeon tem sido clara que “irá rever o calendário do segundo referendo da independência” e acrescentou que “a Escócia não apoiará as decisões tomadas por charlatões”.