A ministra da Cultura revelou esta quinta-feira que o Organismo de Produção Artística (Opart) terá um reforço financeiro de 606 mil euros para refundar a programação artística das estruturas que tutela.

Graça Fonseca falava em Lisboa na apresentação da próxima temporada (2019/2020) do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), que é tutelado pelo Opart, numa sessão em que esteve também o novo presidente do conselho de administração do organismo, André Moz Caldas, que tomou posse no passado dia 5.

É preciso arrumar organicamente esta casa e é preciso fazer alguma refundação artística. É preciso voltar a ter projeto artístico, a ter programação para famílias, ir para fora de Lisboa, é preciso voltar a ganhar mais públicos”, enumerou Graça Fonseca, no final da apresentação, à agência Lusa.

A temporada lírica e sinfónica esta quinta-feira apresentada é a última programada pelo britânico Patrick Dickie que, em agosto, deixará de ser diretor artístico do São Carlos.

Segundo Graça Fonseca, o próximo diretor artístico deste teatro nacional, que deverá assumir funções em setembro, será português e anunciado em breve pelo Opart. Já a maestrina Joana Carneiro, que terminaria funções este mês, terá o mandato renovado como titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Sem a presença de Patrick Dickie e Joana Carneiro na apresentação formal da nova temporada do TNSC, Graça Fonseca e André Moz Caldas sublinharam o “enorme entendimento” entre a tutela e o Opart sobre o mandato da nova administração.

O Opart tutela o TNSC, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e a Companhia Nacional de Bailado (CNB), três estruturas culturais que em junho estiveram em greve reivindicando uma harmonização salarial entre trabalhadores, um regulamento interno de pessoal, e melhores condições de higiene e de trabalho. A greve foi suspensa pelos trabalhadores dias depois de a nova administração do Opart ter tomado posse, liderada por André Moz Caldas e sucedendo a Carlos Vargas, cujo mandato tinha terminado em dezembro.

Na altura, os trabalhadores suspenderam a paralisação por considerarem que a nova administração do Opart demonstrou ter capacidade de “propor um caminho de compromisso e negociação”, segundo palavras do Sindicato dos Trabalhadores dos Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE).

Tudo, apesar de tudo, [está] a correr agora com tranquilidade, paz social. As negociações entre o Conselho de Administração [e os sindicatos] estão a correr bem, acho que há condições neste momento para fazer esta dupla dimensão”, de refundação e reorganização, disse Graça Fonseca à agência Lusa.

No final da apresentação da temporada, André Moz Caldas afirmou que a partir de setembro haverá novas reuniões formais entre o Opart e os representantes dos trabalhadores com vista a um “processo de coerência interna” sobre condições de trabalho.

Até lá, está suspensa a aplicação, anunciada em junho pela tutela, de reposição das 40 horas semanais de trabalho para os trabalhadores da CNB, num entendimento do que deveria ser a harmonização salarial com os trabalhadores do São Carlos.

Numa altura em que a CNB ainda não apresentou a programação da próxima temporada e questionado sobre se espera um clima de tranquilidade a partir de setembro, André Moz Caldas respondeu: “Não tenho dúvidas de que a instabilidade laboral é uma coisa do passado”.

Sobre obras no Teatro Nacional de São Carlos, Graça Fonseca referiu que estão orçamentados cerca de 120 mil euros para preparar, para 2020, a abertura de concursos para intervenção na estrutura do edifício e melhoria das condições de trabalho.