O Governo cabo-verdiano anunciou esta sexta-feira que elevou a património nacional a língua cabo-verdiana crioula e o género musical tabanca, procurando garantir a sua preservação e uma futura candidatura a património da humanidade.

“Decidimos, através de um trabalho técnico sobre a proposta do Instituto do Património Cultural (IPC) elevar a língua cabo-verdiana a património imaterial, tal como fizemos com a morna, com o São João, e com um conjunto de bens culturais que nós consideramos que deve ser preservado”, anunciou o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, em conferência de imprensa para dar conta das decisões saídas do Conselho de Ministros, realizado na quinta-feira.

Além do trabalho técnico do IPC, o ministro disse ainda que existe um manifesto nesse sentido assinado por oito dos 13 ex-ministros da Cultura desde a independência de Cabo Verde.

Para o governante, a classificação é passo “muito importante” para a valorização da língua cabo-verdiana como um todo e como uma peça para ajudar na elevação da morna a Património da Humanidade.

Abraão Vicente esclareceu ainda que a classificação não é a oficialização do crioulo, mas considerou que, com a língua cabo-verdiana reconhecida como património nacional, o país estará a cumprir com a Constituição da República, que aponta a necessidade de o Estado fazer tudo que está ao seu alcance para promover a oficialização do crioulo ao lado do português.

Com a sua elevação a património nacional, o ministro entendeu que implica que sejam criadas condições para o estudo, promoção e valorização da língua a nível nacional e internacional.

Quanto à tabanca, também uma reivindicação dos seus praticantes, Abraão Vicente disse que a sua elevação a património nacional é um “bónus” para as festas que têm o seu auge este mês.

“Tanto a língua cabo-verdiana como a tabanca têm um vasto dossiê feito que poderá facilitar futuros projetos de candidatura a património imaterial da humanidade”, considerou o governante, citado pela Inforpress.

A tabanca é uma espécie de cortejo que mistura dança, música e encenação, que surgiu no Sec. XVI, como forma de resistência ao poder colonial, sendo proibida até à independência de Cabo Verde, conseguida de Portugal em 1975.

Símbolo de resistência colonial, o género evoluiu, revitalizou-se e transformou-se numa das mais genuínas manifestações culturais de Cabo Verde.

Um dos grandes objetivos dos seus impulsionadores era a sua classificação como património nacional, para, depois, tentar ser Património Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Para cada uma das classificações, o ministro das Cultura informou que foram feitos investimentos acima dos três milhões de escudos cabo-verdianos (27 mil euros).