Rui Rio afirma que o caso dos kits inflamáveis “é uma questão política, em primeiro lugar”, mas sugere também que “ao MP compete-lhe ver os termos em que as coisas foram feitas”. Em declarações aos jornalistas, na Herdade do Chão da Lagoa, onde decorre a festa do PSD/Madeira, o presidente do PSD diz que, politicamente, é uma situação grave, se os factos forem provados. “Do ponto de vista político, a ser verdade — eu espero que não seja —, mas a ser verdade, tal e qual como tem sido noticiado, é grave”, afirmou Rui Rio.

“É mais um ponto negativo naquilo que tem sido a atuação do Governo, a diferentes níveis, neste caso particular no combate aos incêndios e na proteção das populações e é algo que é muito relevante”, disse o presidente do PSD. Rio fez ainda questão de recordar o caso de desvio de fundos públicos em Pedrogão Grande, já que “o dinheiro que foi dado para determinados fins e que foi usado de uma forma um bocado diferente”.

Este domingo, o secretário de Estado desmentiu uma notícia do Jornal de Notícias, que referia que o gabinete de José Artur Neves tinha coordenado o processo de compra dos kits de proteção. José Artur Neves garante que “todo o processo de seleção dos concorrentes, de definição de critério de seleção desses concorrentes e o modelo de concurso, é naturalmente da responsabilidade da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”.

Secretário de Estado responsabiliza Proteção Civil pela compra de kits inflamáveis

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, ordenou este sábado a abertura de um “inquérito urgente” à distribuição dos 15 mil kits por causa de “aspetos contratuais”, depois de o JN noticiar que as golas inflamáveis que integravam os kits custaram mais do dobro do preço de mercado. O inquérito vai ser conduzido pela Inspeção Geral da Administração Interna.

Incêndios. Proteção Civil distribuiu 70 mil “golas” inflamáveis às populações

Rui Rio diz que a sua “especialidade” é ganhar eleições e não sondagens

O líder do PSD, Rui Rio, disse ainda na Madeira que nunca conseguiu ganhar sondagens, sendo a sua “especialidade” ganhar eleições, e garantiu que não procura afastar os críticos da sua liderança das listas de candidatos à Assembleia da República.

“Está provado que eu, em sondagens, sou mau e realmente não tenho conseguido ao longo de toda a minha carreira política ganhar sondagens”, reconheceu, realçando, no entanto, que tem sido mais sua “especialidade” de ganhar eleições, referindo-se às sondagens que apontam que o PSD poderá obter o pior resultado de sempre nas eleições de 06 de outubro.

“Enfim, cada um é como cada qual. Eu sou muito melhor em ganhar eleições do que sondagens”, afirmou Rui Rio aos jornalistas na Herdade do Chão da Lagoa, durante a festa do PSD/Madeira, considerada a maior do partido a nível nacional.

O presidente social-democrata assegurou que “não é verdade” que esteja a afastar os críticos da sua liderança das listas de candidatos, mas admitiu que o processo é sempre “polémico e complicado”.

“Todos os partidos, na altura de escolher pessoas, fazer listas de pessoas, neste caso para Assembleia da República, é sempre polémico e complicado. Toda a vida foi e toda a vida será”, afirmou.

Rui Rio vai excluir das listas pelo menos dois terços dos deputados sociais-democratas

Rui Rio chegou à Herdade do Chão da Lagoa, onde já se encontram alguns milhares de pessoas, acompanhado pelo líder regional do PSD, que é também presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque.

“Com certeza que quando temos tanta gente à nossa frente, o palco é sempre favorável”, afirmou, indicando que o momento é ideal para mobilizar o eleitorado, considerando os dois atos que se aproximam: eleições regionais em 22 de setembro e nacionais em 06 de outubro.

“Não vale a pena arriscar e estar a trazer o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda para a esfera do poder [na região autónoma] quando as coisas estão a correr bem”, salientou, afirmando que a situação ao nível nacional é “exatamente o contrário”.

“É necessário procurar uma solução de governo que consiga fazer à escala nacional aquilo que na Madeira há muitos anos se faz, que é desenvolver o país, conseguir baixar a carga fiscal, que o governo subiu, subiu, subiu para um patamar como nunca se viu na história de Portugal, e, em paralelo com mais impostos, tem piores serviços públicos”, alertou.

Miguel Albuquerque também sublinhou a importância de manter a esquerda afastada do governo na Madeira.

“Não vale a pena meter a raposa no galinheiro. Os madeirenses não podem eleger partidos comunistas e socialistas anti-autonomistas para preservar a autonomia”, disse o líder regional, afirmando que é “suicidário” pensar em crescimento económico e estabilidade social com uma geringonça no executivo.

Albuquerque considerou, por outro lado, que é sempre uma “grande honra” ter o líder nacional do partido na Festa do Chão da Lagoa, encarado como um momento de “mobilização, unidade e demonstração de força” do PSD.