O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse esta segunda-feira que não está preocupado com a possível greve, anunciada pelos sindicatos da banca, e que não “fomenta divergências”, mas sim “convergências” com os representantes dos trabalhadores.

“O empenho do BCP é encontrar uma solução. Não a qualquer custo. Não estou preocupado com a greve, no sentido […] [do] que é que acontece com uma greve, não estou preocupado com isso. Estou preocupado sim, na substância. Que é encontrar uma solução que seja equilibrada nesta relação com os diversos ‘stakeholders'”, disse Miguel Maya na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro semestre do banco (lucros de 169,8 milhões de euros).

Anteriormente, Miguel Maya já tinha dito que “os sindicatos tiveram um contributo muito positivo no apoio que deram ao plano de reestruturação do BCP”, e que o banco está “grato” e soube “reconhecer este esforço”.

“Foi possível reduzirmos a remuneração dos colaboradores sem greves. Porquê? Porque as pessoas sabem o que estamos a fazer, porque procuramos comunicar com as pessoas aquilo que estamos a fazer, e daí, havendo um entendimento, torna as coisas mais fáceis”, disse Miguel Maya.

No entanto, o líder do BCP disse que o banco não está disponível, “em nenhuma circunstância”, para “a troco do presente comprometer o futuro”.

Relativamente à reivindicação de alguns sindicatos sobre à ausência de aumentos no BCP durante o ano de 2018, Miguel Maya disse que não houve nenhum “apagão”. “Não há apagões de nenhuma natureza no BCP. Nem nos sistemas nem na memória das pessoas”, assegurou Miguel Maya, salientando que em 2018, “entre promoções e aumentos salariais”, 24% dos trabalhadores do banco viram a sua situação melhorada.

No entanto, o presidente executivo do banco disse que “é verdade que não houve revisão da tabela salarial e, portanto, que os reformados não viram essa situação refletida”, mas comparou a situação com os trabalhadores mais recentes do banco.

Os colaboradores do banco que entraram nos últimos dez anos, fruto da situação específica do BCP e do contexto internacional, tiveram as carreiras muitíssimo condicionadas e a evolução muitíssimo condicionada” e, por isso, o BCP está, “com os recursos escassos”, a dar “prioridade” ao que entende dar prioridade, referiu.

Os sindicatos Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), de Bancários do Norte (SBN) e Independente da Banca (SIB) aprovaram na quarta-feira uma paralisação e o recurso ao fundo de greve, que só avançará caso os bancos “se mantenham intransigentes”.

De acordo com as estruturas sindicais, “entre 2010 (data da produção de efeitos das tabelas de salários e pensões em vigor) e 2018, os bancários (com exceção do BCP) apenas tiveram aumentos de 0,75%, em 2016, 2017 e 2018, ou seja, 2,25% no total, pelo que perderam 10,79%” de poder de compra face à inflação.

No caso do BCP, a recuperação foi zero, dado que “nem sequer esses aumentos tiveram”, segundo o comunicado. Porém, as instituições de crédito, no ACT geral, decorrido todo este tempo de negociações, só admitem aumentos de 0,75% para 2019. E o BCP, até ao presente, 0% para 2018, de acordo com a nota.

Lucros sobem 12,7% no 1.º semestre

As declarações de Miguel Maya foram feitas na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do banco no primeiro semestre do ano. O BCP registou lucros de 169,8 milhões de euros, o que compara com lucros de 150,6 milhões de euros no mesmo período de 2018. O valor representa um aumento de 12,7% relativamente ao primeiro semestre de 2018, e de acordo com o banco foi impulsionado pela expansão dos proveitos ‘core’ (5,3%) e pela redução de imparidades e provisões no montante de 13,1%.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, o presidente executivo do BCP disse que “a evolução da política monetária” teve um “impacto grande” no planeamento da atividade do banco.