Na guerra não existem, de facto, vencedores. As operações internacionais (como a NATO) e os forças locais mataram mais civis do que as forças talibãs insurgentes entre janeiro e junho deste ano, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que discrimina os números: as autoridades afegãs mataram 403 civis, que se somam aos 314 inocentes que morreram às mãos das forças internacionais. No primeiro semestre de 2019, o saldo negro aponta assim para 717 pessoas. Neste mesmo período, os terroristas mataram 531 civis.

Em 2018, tinham morrido cerca de 350 pessoas a mais por esta altura do ano. E apesar de se registarem menos baixas civis no ano corrente, a percentagem de casualidades desta natureza atribuída às forças insurgentes era 43% inferior.

O governo de Cabul, as autoridades militares e a NATO ainda não reagiram ao relatório da ONU. O mesmo se aplica aos EUA, formalmente fora da guerra no Afeganistão desde 2014. No entanto, os norte-americanos ainda colaboram com a causa afegã e financiam as forças locais, segundo o The Guardian.

O relatório acrescenta ainda que, destas casualidades, uma em cada três é causada por combate terrestre e um quinto das mortes resultam do impacte dos engenhos explosivos na estrada. Cerca de 14% das mortes civis são causadas por ataques aéreos.