O céu noturno vai ser rasgado por uma média de 15 meteoros por hora a partir da meia-noite à conta de uma chuva de estrelas, explicou o Observatório Astronómico de Lisboa. As Aquáridas, assim se chama o fenómeno, já podem ser vistas desde 12 de julho e até 23 de agosto, mas é esta madrugada, depois das doze badaladas, que vai chegar à atividade máxima de intensidade. E o melhor é que, como estamos prestes a entrar em Lua Nova, a luz refletida pelo nosso satélite natural não vai atrapalhar as observações.

As Aquáridas chamam-se assim porque todos os meteoros parecem surgir da constelação de Aquário, nomeadamente da estrela Delta Aquarii, que é a terceira mais brilhante dessa constelação. Ora, a constelação de Aquário só começa a nascer depois da meia-noite, conta o Observatório Astronómico de Lisboa, daí que deva estar mais atento ao céu a partir dessa hora e ao longo da madrugada.

Esses meteoros, vindos do cometa 96P/Machholz, vão aparecer sobretudo no hemisfério sul do planeta, mas também podem aparecer até às latitudes mais medianas do hemisfério norte. E Portugal está na rota deles. Mas não são os únicos visitantes desta noite, alerta o Observatório. Este mês há mais três chuvas de estrelas — Ariétidas, ζ Perseidas e β Táuridas –, mas são diurnas, isto é, rasgam o céu durante o dia, quando é impossível vê-las a olho nu.

É assim porque “tanto a constelação de Carneiro, como as de Perseu e do Touro encontram-se próximas do Sol, e isso faz com que estas chuvas de meteoros sejam difíceis de se ver a olho nu”. No entanto, se tenciona ficar acordado durante a noite para espreitar as Aquáridas, talvez tenha sorte e ainda se possa cruzar com as primeiras estrelas cadentes desses três fenómenos: é que “alguns dos primeiros meteoros são visíveis no momento das primeiras horas da manhã, geralmente uma hora antes do amanhecer”, indica o Observatório.

Mas atenção: as ζ Perseidas não são a mesma coisa que as tão famosas “Perseidas”, a maior chuva de estrelas visível no verão do hemisfério norte nesta altura do ano. Essas já andam a abrilhantar o céu desde 17 de julho e por cá ficarão até 24 de agosto, mas só quase no fim desse período, a 13 de agosto, é que chegarão ao pico de atividade. Nessa noite, as Perseidas — deixadas para trás pelo cometa Swift-Tuttle — vai trazer 110 meteoros por hora ao céu noturno.