A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros consolidados de 282,5 milhões de euros no primeiro semestre do ano, o que reflete uma subida de 46% face ao mesmo período do ano passado. Os resultados foram apresentados pelo presidente da instituição esta terça-feira. Paulo Macedo afirmou que estão em linha com as metas previstas para o ano, mas deixou o alerta para um “entorno difícil” que resulta da descida das taxas de juro de referência, uma conjuntura que está a penalizar a capacidade do banco de gerar lucros.

A descida das taxas de juros, que se acentuou a partir de maio, fez cair a margem financeira do banco, mas o efeito mais destacado por Paulo Macedo foram as contribuições que tiveram de ser feitas para o Fundo de Pensões. Foram 500 milhões de euros em três anos, o que, avisou “não é sustentável”.

Estes valores, que tiveram consequências negativas nos capitais próprios, mas não nos resultados dos bancos, não estavam previstos no plano de reestruturação da Caixa, tal como a descida dos juros também não estava. Paulo Macedo admitiu rever o plano com Bruxelas, lembrando que já houve ajustamentos no passado, e remeteu eventuais mexidas nas condições do Fundo de Pensões para negociações do acordo de empresa.

Em causa está não um fundo para pagar pensões, que esse já foi entregue ao Estado há mais de dez anos, mas sim um fundo que garante aos trabalhadores da Caixa um complemento de reforma em relação à pensão base. O património deste fundo é composto sobretudo por ativos financeiros que estão cotados no mercado e quando mais baixas são as taxas de juro, menor é a remuneração obtida nesses ativos. E quando isso acontece, o valor atual das responsabilidades futuras deste fundo sobe, obrigando a Caixa a reforçar os recursos financeiros.

No último ano, entre junho de 2018 e de junho de 2019, o reforço do Fundo de Pensões foi de 250 milhões de euros.

De resto, as baixas taxas de juro afetam sobretudo os bancos de retalho, como a Caixa, e que tem vindo a penalizar a rentabilidade dos bancos europeus por causa dos menores proveitos cobrados em operações de crédito. Paulo Macedo aponta ainda para competição “significativa” no setor bancário que aumenta a disputa pelos principais clientes numa conjuntura em que não se podem usar as taxas para diferenciar a oferta.

A receita para os bancos é reduzir custos, aumentar a eficiência e limpar o balanço. É o que a Caixa vai continuar a fazer. No último ano, entre junho de 2018 e junho de 2018, banco fechou duas agências e reduziu o número de colaboradores em 400. Os custos de estrutura baixaram 6%.

A receita passa também por um aumento de proveitos, nomeadamente através de mais comissões cobradas em alguns segmentos não diretamente relacionados com a atividade bancária. Paulo Macedo explicou que a Caixa, tal como outros banco, não está a cobrar mais comissões nos serviços bancários tradicionais, mas tem a expetativa de vir a receber mais comissões pela venda de produtos como seguros ou subscrições em fundos de investimento. O resultado de serviços e comissões cresceu 1% em termos consolidados, mas se olharmos apenas para o mercado doméstico, o crescimento chega aos 4%.

Caixa terá de emitir dívida de que não precisa de dois mil milhões

Até final de 2022, a Caixa terá de emitir dois mil milhões de euros de instrumentos de dívida que vão servir para reforço de capital. Paulo Macedo diz que o banco está confortável com esta obrigação imposta a nível europeu para os bancos sistémicos, mas o administrador financeiro José Brito, alerta que esta operação a efetuar por imposição regulatória., irá afetar ainda mais a margem financeira porque a Caixa não precisa de mais liquidez.