Há 10 Unidades de Saúde Móveis (USM), adquiridas recentemente por 10 Câmaras Municipais do Algarve, paradas por excesso de peso. São “750 mil euros arrumados na garagem”, denuncia Cristóvão Norte, deputado do PSD eleito pelo círculo do Algarve, citado pelo jornal algarvio Sul Informação.

Concelhos que adquiriram as carrinhas

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As Unidades de Saúde Móveis deveriam servir as populações residentes em territórios rurais e de baixa densidade dos concelhos de Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Loulé, Monchique, Portimão, São Brás de Alportel, Silves e Tavira.

Com pelo menos 200 quilos a mais, as carrinhas não podem circular nem cumprir o objetivo para o qual foram desenhadas: levar os cuidados de saúde às pessoas que tem menos acesso a eles, como nos territórios mais afastados das cidades ou as localidades mais pequenas onde não existe um posto médico. É que o caderno de encargos definia que deveriam ser veículos ligeiros, mas com mais de 3.500 quilos são consideradas veículos pesados.

Cristóvão Norte aponta o dedo à Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve e à AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, mas Paulo Morgado, presidente da ARS Algarve diz que não têm responsabilidade sobre o assunto. “Toda esta situação foi responsabilidade da empresa que forneceu as viaturas, que cometeu um erro de palmatória. Fomos surpreendidos por esta situação e ficámos com o menino nos braços”, diz, citado pelo Sul Informação.

Perante a situação, a ARS Algarve pediu à “vencedora do concurso [Futurvida] para obter documentação técnica junto da Iveco, a construtora das carrinhas, que permita legalizá-las como veículos pesados que podem ser conduzidos por detentores de carta de ligeiros”. A empresa terá dito que vai fornecer a documentação em breve.

Mas o excesso de peso não é o único problema das USM. Por exemplo, têm “um gerador que não permite o funcionamento simultâneo com a utilização por parte dos utentes”, diz Cristóvão Norte, acrescentando mais um problema às carrinhas compradas em 2018 e que não podem circular.

Paulo Morgado diz que se tratou de “um erro do caderno de encargos” e admite que os geradores são muito pesados, barulhentos e mal cheirosos. Mas que foi pedido à empresa que os substituísse por inversores, “que permitissem usar a energia das baterias, mesmo quando o veículo estivesse desligado. Isso foi feito”.