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Alterações Climáticas

Julho foi mesmo o mês mais quente de sempre na Terra

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O último recorde era de julho de 2016. Agora, os dados definitivos do serviço de alterações climáticas do Programa Copernicus da União Europeia, mostram que julho de 2019 foi 0,04ºC mais quente.

Segundo os investigadores, o período entre 2015 e 2019 deverá mesmo o período de cinco anos mais quente alguma vez registado.

Mariano Cieza Moreno/EPA

Julho de 2019 foi o mês mais quente de sempre na Terra, desde que há registos globais de temperaturas. Até agora, o recorde oficial era de julho de 2016, ano em que a elevação das temperaturas foi explicada pelo fenómeno El Niño. Agora, os dados definitivos divulgados esta segunda-feira pelo serviço de alterações climáticas do Programa Copernicus (C3S) da União Europeia, medidos no mês de julho deste ano, mostram que o recorde foi batido.

Os dados indicam que o mês passado teve uma temperatura 0,04ºC acima de julho de 2016, que detinha o recorde de mês mais quente de sempre. E há mais: segundo os investigadores, o período entre 2015 e 2019 deverá mesmo ser o período de cinco anos mais quente alguma vez registado. “A temperatura global esteve substancialmente acima da média em Julho de 2019, o que foi o suficiente para se tornar o mês de julho mais quente por uma pequena margem”, explica o programa Copernicus no relatório.

“Julho reescreveu a história do clima, com dezenas de novos recordes de temperatura a nível local, nacional e global”, explicou Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, citado pelo Washington Post. O Copernicus alerta ainda para o facto de a diferença entre julho de 2016 e julho de 2019 ser tão estreita que outras organizações que façam a recolha dos dados podem chegar a diferentes conclusões.

O Copernicus divulga os seus rankings mensais de temperatura mais cedo do que outras agências que recolhem dados sobre a temperatura do planeta, como a NASA, e os rankings podem diferir ligeiramente, porque usa uma fonte diferente para recolher os seus dados. A classificação mensal foi gerada com a leitura de milhões de leituras de balões meteorológicos, satélites, bóias e outras fontes.

Segundo Freja Vamborg, cientista do Programa Copernicus, as temperaturas dos últimos 12 meses têm sido muito elevadas e isso é ainda mais preocupante. “Este mês em particular foi bastante quente, mas para mim esse não é o ponto mais importante. O mais importante é que para além de este ter sido um mês muito quente, os últimos meses também o foram. Todos os meses de 2019 foram muito quentes em comparação com outros anos”, disse Freja Vamborg, citada pela BBC, na passada segunda-feira.

Apesar de julho ser tradicionalmente o mês mais quente do planeta, este ano a Terra assistiu a ondas de calor excecionais na Europa, nos Estados Unidos e na Antártida, que fizeram elevar ainda mais as médias.

Na quinta-feira, 1 de agosto, o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, voltou a dizer que as alterações climáticas são a grande batalha da humanidade. Falando em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, Guterres disse que apesar de sempre terem existido verões quentes, “este não é o verão da nossa infância”.

“Se não tomarmos medidas sobre as alterações climáticas agora”, disse Guterres, “estes eventos climáticos extremos serão apenas a ponta do icebergue. E esse icebergue está a derreter rapidamente.” A Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU, já declarou oficialmente que este ano assistimos ao mês de junho mais quente de sempre e que julho pode estar a seguir o mesmo caminho.

(Texto atualizado na segunda-feira, dia 5 de agosto, com os dados oficiais do Copernicus. Na versão inicial estavam apenas os dados provisórios.)

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