O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) rejeitou nesta sexta-feira o desenvolvimento de mais mísseis como resposta ao fim do tratado de desarmamento nuclear, afastando a hipótese de uma corrida ao armamento.

“Não vamos responder [ao fim do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio – INF] nos mesmos moldes usados pela Rússia. Não queremos uma nova corrida ao armamento e não temos qualquer intenção de desenvolver novos mísseis terrestres na Europa”, garantiu o líder da NATO, Jens Stoltenberg.

Falando em conferência de imprensa na sede da organização, em Bruxelas, sobre o fim do INF, o responsável assegurou que “a resposta da NATO será ponderada e acautelará os riscos significativos inerentes ao sistema de mísseis russo 9M729”.

“Acordámos um pacote de medidas […], mas não nos vamos precipitar na sua implementação ou agir de cabeça quente. Vamos considerar, de forma ponderada, as nossas opções”, apontou Jens Stoltenberg, numa alusão a possíveis recursos como exercícios conjuntos entre os aliados, sistemas de inteligência artificial e de reconhecimento e mísseis aéreos de defesa.

O objetivo é, de acordo com o representante, assegurar que a política nuclear dos aliados “se mantém estável, segura e efetiva”.

“Algumas destas medidas podem ser implementadas rapidamente, enquanto outras requererão algum tempo”, notou, falando num processo “equilibrado, coordenado e defensivo”.

De acordo com Jens Stoltenberg, a NATO “apoia esforços e novas iniciativas para controlo das armas”, razão pela qual equaciona uma parceria nesta área com a China, país que “tem um sistema bastante desenvolvido”.

A conferência de imprensa decorreu minutos depois de a NATO declarar o desaparecimento do tratado INF, que visava prevenir corrida ao armamento, afirmando que a Rússia é a única responsável.

“A Rússia continua a violar o tratado INF, apesar de anos de envolvimento dos Estados Unidos e dos aliados, incluindo a oportunidade final dada para, em seis meses, cumprirem as suas obrigações” previstas no acordo, refere o Conselho do Atlântico Norte em comunicado.

Para a organização, “a Rússia é a única responsável pelo desaparecimento do tratado” por não ter destruído o novo sistema de mísseis.

Esta situação motivou, desde logo, a retirada dos Estados Unidos do INF, também confirmada nesta sexta-feira, uma decisão “totalmente apoiada pelos aliados da NATO”, de acordo com o comunicado.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) declarou nesta sexta-feira o “desaparecimento” do tratado de desarmamento nuclear (INF), que visava prevenir a corrida ao armamento, afirmando que a “Rússia é a única responsável” e prometendo resposta aos mísseis russos.

Assinado em 1987 por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov, então Presidentes dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, respetivamente, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF) aboliu o recurso a um conjunto de mísseis entre os 500 e os cinco mil quilómetros e pôs fim à crise desencadeada na década de 1980 com a instalação dos SS-20 soviéticos, visando capitais ocidentais.

Em finais de outubro de 2018, o Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou a Rússia de não respeitar os termos do tratado e ameaçou então sair deste acordo histórico.

Após ultimatos, Washington acabaria por decidir sair do INF no início deste ano, afirmando que a Rússia tinha infringido as regras do tratado com o desenvolvimento de um novo sistema de mísseis: o novo míssil terrestre russo 9M729, capaz de transportar uma ogiva nuclear e com um alcance superior a 500 quilómetros.

Em reação, Moscovo replicou e denunciou “acusações imaginárias” por parte dos Estados Unidos para justificar a saída do acordo.

A Rússia tinha até esta sexta-feira para destruir os mísseis.