O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, sofreu a primeira derrota eleitoral na intercalar de quinta-feira e perdeu um deputado, reduzindo a maioria parlamentar dos Conservadores a um voto, foi anunciado nesta sexta-feira.

De acordo com os resultados oficiais do círculo eleitoral de Brecon e Radnorshire, no País de Gales (oeste), a candidata liberal-democrata e pró-UE Jane Dodd derrotou, na quinta-feira, o conservador Chris Davies por 13.826 votos contra 12.401.

Em terceiro lugar surge o Brexit Party com 3.331, à frente dos trabalhistas, que tiveram um resultado desastroso, recolhendo apenas 1.680 votos.

Em Brecon e Radnorshire, 52% dos eleitores votaram a favor do ‘Brexit’ no referendo de 2016, apenas um ponto percentual a menos que no conjunto do País de Gales. Nesta eleição os partidos que apoiam abertamente o Brexit (Conservadores, Brexit Party e UKIP) receberam 50,3% dos votos, mas isso não impediu que fosse eleito um deputado que se opõe à saída do Reino Unido da União Europeia.

Este resultado torna mais difícil para o governo de Jonhson aprovar leis e vencer votações no Parlamento, quando um novo debate sobre o ‘Brexit’ [saída do Reino Unido da UE] está previsto para acontecer em menos de três meses.

Recentemente, a maioria parlamentar dos Conservadores tinha ficado reduzida a dois deputados devido à exclusão do deputado Charlie Elphicke por alegado assédio sexual, o que poderá ser crucial não só no processo do ‘Brexit’, mas também se o Governo enfrentar uma moção de censura, como ameaçou o partido Trabalhista.

Boris Johnson afirmou já que o Reino Unido sairá da UE em 31 de outubro, com ou sem acordo. No passado, o Parlamento britânico rejeitou no passado um Brexit sem acordo, o que se poderá repetir na próxima votação no outono.

A eleição também foi um teste à popularidade de Boris Johnson, em funções há apenas uma semana. Uma sondagem publicada pelo jornal The Times indicava que o novo primeiro-ministro estava já a atrair eleitores para o partido Conservador.

Apesar de ser uma derrota para os conservadores, o resultado foi bastante melhor do que o esperado há poucas semanas, quando as apostas eram de 50 para 1 numa vitória dos liberal-democratas. Na verdade este círculo eleitoral foi detido pelos liberal-democratas entre 1997 e 2015, altura em que o perderam para os conservadores. Com o campo do Brexit dividido entre conservadores e o partido de Nigel Farage — que venceu as recentes eleições europeias — muitos esperavam que os tories pudessem mesmo cair para terceira força política, pelo que terem conseguido um resultado tão competitivo é visto como uma indicação de que a liderança de Boris Johnson revigorou as bases do partido.

Em contrapartida o péssimo resultado dos trabalhista aumenta a pressão sobre a liderança, muito contestada, de Jeremy Corbyn.