A ferrovia tem 30,1% da rede em estado considerado ‘Bom’ enquanto 6,6% se encontra num estado ‘insatisfatório’, necessitando, por isso, de ser alvo de investimento imediato, mostram dados da Infraestruturas de Portugal (IP).

A IP divulgou hoje publicamente os indicadores de desempenho do estado da infraestrutura de 2018 nas redes rodoviária e ferroviária que foram apurados com base na atividade regular de inspeção e diagnóstico que a empresa faz às infraestruturas que estão sob a sua gestão.

No caso da rodovia, os indicadores revelam que 21,2% dos ativos analisados (pavimentos e obras de arte) se encontram num estado ‘Bom’ enquanto 60,4% estão em estado ‘Satisfatório’, 15,6% ‘requerem atenção’ e 2,8% se encontram num estado ‘Insatisfatório’.

Esta escala indica a margem de tempo disponível para que determinado ativo seja alvo de intervenção, sendo que o ‘Bom’ sinaliza que o estado é adequado para o longo prazo, ou seja, a necessitar de investimento no horizonte de 10 anos.

Já no caso do estado ‘Satisfatório’ a margem temporal para se ter de avançar com uma intervenção está balizada entre os cinco e os 10 anos, sendo esta até cinco anos quando o estado ‘Requer atenção’ e imediata quando o ativo cai na parte mais baixa da escala (‘Insatisfatório’).

Não sendo possível esta intervenção imediata há soluções temporárias que podem ser usadas, como restrições de peso, limitações de velocidade ou redução de vias, por exemplo.

Na ferrovia, em que são avaliados ativos como a via férrea, as pontes e túneis (obras de arte) sistemas de sinalização ou as catenárias e energia de tração, os resultados indicam que 37,2% da rede é ‘Satisfatória’ e que 26,1% requer atenção, ou seja, a necessitar de investimento nos próximos cinco anos.

Num encontro com jornalistas, em que foram apresentados estes indicadores (que, daqui em diante, passam a ser publicados anualmente), foi sublinhado que estes dados não visam aferir a segurança da rede, servindo antes para indicar a necessidade e priorizar os trabalhos de intervenção.

Ou seja, tal como referiu o presidente da IP, António Laranjo, o facto de um ativo se encontrar em estado ‘Insatisfatório’ não significa que esteja em causa a sua condição de segurança.

Assim, através desta avaliação, a empresa fica dotada de uma ferramenta considerada fundamental para definir as necessidades, estratégia e prioridades que baseiam a construção do plano de investimentos de curto e médio prazo, além de lhe permitir uma maior otimização na gestão dos recursos disponíveis e capacidade de resposta na manutenção.

Os resultados apurados para 2018 para ambas as redes mostram que numa escala de 0 a 8, o indicador de desempenho médio para o conjunto de ativos da ferrovia foi de 4,78 (contra 4,76 em 2017) e que na rodovia foi de 4,87 (4,84 em 2017).

Na ferrovia, o ativo que registou uma percentagem mais elevada de nível ‘Insatisfatório’ foi a Via (15,1%) ainda que tenha melhorado face ao ano anterior e que se espere nova melhoria para 2019, tendo em conta o volume de investimentos que está a ser feito no âmbito do programa Ferrovia 2020.

Sublinhando que estes resultados refletem também o “período difícil” que o país atravessou e as consequências que isso teve no investimento, António Laranjo afirmou, porém, que os indicadores de desempenho registados na ferrovia “não envergonham” por comparação com os observados a nível europeu.