Rádio Observador

Moçambique

Movimento Democrático de Moçambique preocupado com guerrilheiros da Renamo

O líder do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, defendeu ser decisivo "acarinhar a expetativa" da desmobilização dos guerrilheiros da Renamo.

Daviz Simango, defendeu ser decisivo "acarinhar a expetativa" da desmobilização dos guerrilheiros da Renamo

RICARDO FRANCO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, defendeu ser decisivo “acarinhar a expetativa” da desmobilização dos guerrilheiros da Renamo, no atual quadro precário da paz, para quebrar ciclos de violência pós-eleitoral e insurgências.

Em declarações à Lusa, Daviz Simango, sugeriu que a contestação de uma ala da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana, maior partido da oposição) à liderança do partido e do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) social, iniciado esta semana, resulta da falta de transparência.

O líder da terceira força política moçambicana chamou a atenção para a necessidade de se promover a inclusão, para não se “abrir uma porta para a insurgência no futuro” e prejudicar o acordo de cessação de hostilidades militares.

“Não basta a gente assinar por assinar, para transportarmos a imagem de que em Moçambique há ciclos eleitorais em paz”, disse Daviz Simango, em alusão ao acordo de cessação das hostilidades, para o fim formal dos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo, assinado a 1 de agosto na Gorongosa, entre o Presidente moçambicano e o líder da Renamo.

É preciso falar com as pessoas, aproximá-las, ouvi-las e resolver os problemas, e é preciso compreender qual é a expectativa (…) porque a expectativa pressupõe que as pessoas acreditavam no seu envolvimento militar, e acreditavam que depois teriam alguma coisa” disse, em relação à cisão na ala militar da Renamo.

Simango manifestou preocupação com a contestação inédita dos guerrilheiros, insistindo para a necessidade de inclusão e integração e de gestão das expetactivas do grupo para a vida futura, após a desmobilização.

Em causa estão as contestações de um grupo liderado pelo major-general da Renamo Mariano Nhungue e que se autodenomina Junta Militar da Renamo. O grupo exige a renúncia do líder do partido, Ossufo Momade, acusando-o de estar a “raptar e isolar” oficiais da Renamo que estiveram sempre ao lado do antigo presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 03 de maio do ano passado.

“Nós temos consciência de que parte das pessoas, que eventualmente não estejam integradas, são pessoas que cumpriram a sua missão no processo de criação e no desenvolvimento da própria democracia. Entretanto são pessoas úteis e são pessoas importantes na nossa sociedade, são nossos irmãos, são pessoas amáveis”, precisou Daviz Simango, que defendeu a publicação da lista dos guerrilheiros a integrar para a transparência do processo de DDR.

“As pessoas querem a paz, todos eles querem integração, único problema aqui é a comunicação, é o problema de ouvir, e assegurar as motivações”, sublinhou, sustentando que “o moçambicano não tem interesse nenhum em, de ciclo eleitoral em ciclo eleitoral, estar a gastar os pacatos recursos financeiros” para gestão de conflitos provocados por intolerâncias políticas.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo ameaçou quarta-feira com ações militares se o Governo moçambicano insistir em negociar com o presidente do partido, considerando que o processo do diálogo violar o espírito dos acordos de paz celebrados pelo líder histórico do partido, Afonso Dhlakama.

Os negociadores “estão a dizer [aos militares da Renamo]: vão ao acantonamento e vão receber dinheiro de três meses e um cabrito macho e fêmea. Isso é abuso, é marginalizar-nos depois de uma vida nas matas”, considerou Mariano Nhungue, o major-general da Renamo que se apresenta como líder da junta militar.

Na quinta-feira o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, assinaram o acordo de cessação das hostilidades, para o fim formal dos confrontos entre as forças governamentais e o braço armado do principal partido da oposição.

O processo de paz para Moçambique prevê ainda um acordo de paz mais amplo, que deverá ser assinado na próxima semana, desta feita em Maputo, e que prevê a integração nas forças de segurança do contingente armado da Renamo.

O acordo de cessação de hostilidades foi assinado na quinta-feira, no meio de contestação da Junta Militar da Renamo à liderança do partido e ao rumo das negociações de paz, e um dia após um ataque a um camião de carga e um autocarro de passageiros, que resultou em um morto.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Eleições Legislativas

Afluir de Rio em Costa instável

Gonçalo Sobral Martins

O líder do PSD fez ver que Portugal não soube aproveitar uma conjuntura externa extraordinária: apesar dos juros do BCE e do crescimento económico da zona-euro, nada melhorou substancialmente.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)