Ninguém gosta de investir na China. Primeiro, porque o Estado obriga a que se tenha um sócio local, propriedade do próprio Estado, a quem se “oferece” 50% da empresa, depois porque esse tal sócio pode ser o primeiro que copia tudo o que houver a copiar, em termos de tecnologia, que exista nessa fábrica ou nesse produto. Isto até chegar a Tesla, a quem os chineses permitiram que fosse a primeira instalação fabril a ser 100% propriedade de estrangeiros, neste caso o fabricante americano e, logo, sem sócio local.

Mas a Tesla foi mais longe e negociou que a sua Gigafactory chinesa, a ser construída num terreno próximo de Xangai, seria erguida por uma empresa local, com o compromisso de estar pronta a funcionar em tempo recorde (menos de um ano), o que pela fotos parece confirmar-se. Mais ainda, em vez de adquirir o terreno, a Tesla conseguiu que tivesse apenas de pagar uma renda, o que limitou o investimento na fase de arranque, reduzindo o encargo a apenas 290 milhões de dólares por ano. Sendo este o compromisso que a Tesla tem de pagar anualmente, ou abandonar, como seria de esperar.

Além da renda, a Tesla tem ainda de montar a fábrica (teria dificuldade em produzir carros, caso não o fizesse) durante os próximos cinco anos, investindo num total de 2 mil milhões de dólares (14,08 mil milhões de renminbi). Isto, segundo a Bloomberg, vai assegurar uma capacidade de produção de 500.000 veículos por ano a partir de Junho de 2020, um valor respeitável face à maior fábrica mundial de veículos eléctricos europeus, a da VW em Zwickau, prevista para 350.000 unidades/ano, para as marcas VW, Seat e Audi, uma vez que a Skoda deverá produzir os seus modelos a bateria na República Checa.