“O Secretário de Estado da Proteção Civil devia demitir-se. Ou então devia ser demitido”. Marques Mendes não tem meias medidas para a polémica sobre as golas inflamáveis que esta semana inflamaram o Ministério da Administração Interna e terminaram na demissão do adjunto do secretário de estado, José Artur Neves.

Para o comentador da SIC, o próprio governante devia ter assumido a responsabilidade, uma vez que o seu adjunto depende de si. “Um seu adjunto influenciou a escolha das empresas a contratar e demitiu-se. O secretário de Estado devia ter feito o mesmo. Devia ter assumido a responsabilidade política. Os adjuntos não agem por conta própria”, explicou, até porque o governante saiu deste fragilizado deste caso, considerou.

Por outro lado, quanto às incompatibilidades políticas que se verificaram, depois do Observador ter noticiado que o filho do secretário de Estado da Proteção Civil tinha feito, através de uma empresa em que detém 20%, três contratos com o Estado, quando a lei diz que cônjuges, pais, filhos e familiares diretos de um membro do Governo não o podem fazer. Depois disso, soube-se que outros familiares de outros membros do Governo também mantinham há anos contratos com o Estado. Marques Mendes considera que apesar da lei ser um “exagero” neste caso particular, é para cumprir. Até proque existe há mais de 20 anos. E o facto de o primeiro-ministro António Costa ter decidido pedir à Procuradoria um parecer para ver se a lei previa ou mão a demissão “foi uma decisão desastrosa”.

“O pedido de parecer do primeiro-ministro é uma habilidade. Um truque. O objetivo do pedido não é esclarecer. É comprar tempo. É adiar o assunto até às eleições para que ninguém se demita nem tenha de ser demitido”, afirmou.

Problema: ou a Procuradoria Geral da República é simpática e emite parecer em cima do processo eleitoral, não tendo o seu conteúdo quaisquer consequências para o atual Governo. Ou dá parecer antes e António Costa tem “um problema sério, em setembro, em plena campanha eleitoral”, disse Marques Mendes, que não parece ter dúvidas que a lei prevê a demissão do cargo político para aquele cujo familiar tenha celebrado contratos públicos com o Estado. Dúvida que António Costa pediu à Procuradoria Geral da República para dar parecer.

Em relação à greve dos camionistas e à reunião prevista para esta segunda-feira entre sindicato e o Governo, Marques Mendes diz que “se a inteligência funcionar o sindicato dá um passo atrás para poder dois no futuro e desconvocar a greve”. Isto porque para o comentador da SIC aos olhos da opinião pública nenhum português compreende que se esteja a fazer uma greve em agosto para aumentos salariais previstos para 2021 ou 2022 e porque para o Governo, “que dará uma reposta mais musculada”, mais do que uma questão “laboral ou sindical”, será uma questão política e vai mostrar uma posição de força a pensar nas eleições.

No comentário semanal, feito a partir do Algarve, o social democrata falou também da escolha de Mário Centeno para o FMI. “Mário Centeno perdeu. Nesta última semana deixou demasiado claro que queria muito sair de Portugal e ir para o FMI. É uma derrota pesada. Vai ter de ficar e ficar contrariado. Centeno, a partir de agora, faz lembrar aqueles jogadores de futebol que querem sair de Portugal para o estrangeiro, não conseguem a transferência e depois ficam a jogar contrariados cá dentro”, comparou.

O ministro português das Finanças confirmou quinta-feira que não estava na ronda de votação desta sexta-feira ao cargo de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional.

Marques Mendes não deixou fora do comentário o Conselho Nacional do PSD, para dizer que Rui Rio ganhou, como se esperava, mas que perdeu no país, dando uma “grande ajuda a Luís Montenegro”. Para ele, “o potencial sucessor de Rio”, sem nada ter feito vai acabar por receber o apoio de “todos os descontentes”. “É sempre assim”, concluiu.