Um mês depois, o Moto GP voltou. E voltou depois de Miguel Oliveira ter conseguido na Alemanha segurar a corrida depois de uma queda logo na curva 3 que condicionou por completo o resultado (18.º lugar) mas que permitiu não só mostrar a capacidade da moto (chegou a fazer em algumas voltas top 10 dos melhores tempos) como segurar o registo de 33 provas seguidas sempre a chegar ao fim, naquele que é um recorde entre todos os pilotos. Agora, seguia-se a Rep. Checa. A mesma Rep. Checa onde, em 2018 no Moto 2, ganhou a corrida e assumiu então a liderança do Mundial à frente de Pecco Bagnaia.

Depois dos excelentes indicadores deixados nos tempos livres, onde chegou a obter o 13.º melhor tempo, o português da KTM concluiu a qualificação no 16.º posto. “Na corrida podemos terminar numa posição muito melhor. Sinto-me bastante bem no piso seco. Será uma boa corrida”, vaticinou. No entanto, o tempo não foi propriamente um conselheiro nesse sentido, com o arranque a ser adiado cerca de 40 minutos com a entrada do safety car em pista para dar tempo que o traçado secasse da chuva que foi caindo (e viu-se uma significativa diferença com essa paragem) e a redução da prova para apenas 20 voltas.

Lá na frente, as atenções centravam-se nos espanhóis Marc Márquez, que conquistou a sexta pole position da temporada, e Álex Rins, que tiveram um momento de tensão numa volta rápida do piloto da Suzuki que motivou muitas críticas. “Ele fez foi algo estranho. Saiu largo na curva 5 e viu que vinha eu e o Miller logo atrás. Nessa altura apenas deixou passar o Miller e incomodou-me nas duas seguintes curvas. Quando lhe toquei foi porque abriu a porta e ia numa volta rápida. É um piloto com muito talento, super rápido, mas não tem todo o respeito que devia ter pelos outros. Não é a primeira vez que o faz. A reação que teve na última curva, ao travar bastante forte e ultrapassando-me, não foi a melhor, pois sabia que ia entrar nas boxes. Não foi correto… Mas isto é uma corrida e cada um joga as suas cartas”, queixou-se Álex Rins do pentacampeão mundial.

Polémicas à parte, Márquez fez aquilo que se esperava: saiu na frente, conseguiu ganhar alguma distância e manteve Dovizioso, que entretanto subiu à segunda posição, longe o suficiente para ir gerindo a corrida. Já Miguel Oliveira fez jus ao prometido, saltando para o 14.º posto logo no primeiro setor e subindo mais um lugar por volta de seguida, fixando-se à frente de Aleix Espargaró na 12.ª posição e a lutar com aquele que foi o seu grande adversário no ano passado em Moto 2, Pecco Bagnaia. Joan Mir e Franco Morbidelli foram os primeiros a desistir, numa queda entre ambos logo na volta inicial.

O 11.º lugar na Argentina era ainda o resultado máximo em 2019 mas esta estava a ser já a melhor corrida do português em relação à distância dos primeiros lugares, esperando-se que pudesse forçar um pouco mais o andamento nas últimas voltas para arriscar a entrada num inédito top 10 no MotoGP sabendo que tinha na roda o espanhol Maverick Viñales, que após algumas tentativas falhadas acabou por ultrapassar mesmo Miguel Oliveira a meio da corrida (umas voltas depois passaria também para a frente de Bagnaia), apesar de continuar a ser a KTM mais rápida em pista. No final, o piloto de Almada acabou mesmo no 13.º lugar, naquele que foi o terceiro melhor resultado da época, a cinco segundos do top 10 numa prova ganha por Márquez.