O carrossel que tem sido a carreira de Romelu Lukaku ainda não parou de girar e torna-se cada vez mais intrincado à medida que o tempo passa. O avançado belga chegou a Inglaterra já em 2011, contratado pelo Chelsea de André Villas-Boas ao Anderlecht, e esteve emprestado pelos blues ao West Bromwich e ao Everton, sem nunca se conseguir afirmar em Stamford Bridge. Há dois anos, depois de três temporadas já nos quadros do Everton em que nunca marcou menos de 20 golos, José Mourinho resgatou-o para continuar a construir aquele que seria o regresso do Manchester United à ribalta do futebol inglês e europeu.

Dos 27 golos apontados, do segundo lugar na Premier League e da presença na final da Taça de Inglaterra no primeiro ano, Lukaku passou a 15 golos marcados, ao sexto lugar na Premier League e à eliminação nos quartos de final da Taça de Inglaterra no segundo. A segunda época do belga em Old Trafford, que logo em dezembro viu José Mourinho sair para dar lugar ao primeiro interino e depois efetivo Solskjaer, foi também uma época para esquecer para o Manchester United: na verdade, feitas as contas, os dois anos que Lukaku passou em Manchester foram também as duas primeiras temporadas consecutivas no espaço de 30 anos em que os red devils não conquistaram um único troféu. 

O avançado chegou ao Manchester United em 2017 a pedido de José Mourinho

Um caso de timing, apenas. O avançado de 26 anos — que pelo meio esteve em destaque na seleção belga que ficou no terceiro lugar do Mundial da Rússia — aterrou em Manchester no período pós-conquista da Liga Europa em que se antecipava um regresso do clube inglês à companhia dos gigantes europeus mas acabou por ficar incluído num conjunto de jogadores que protagonizou um dos piores períodos da equipa no século XXI. Este verão, como seria de esperar, Lukaku recebeu propostas. E esteve sempre interessado em ouvi-las: começou pelo Inter Milão, que procura um substituto para Icardi, que também deve sair; e continuou com a Juventus, que começou por incluir Dybala no negócio mas entretanto, segundo o The Guardian, já joga com o passe de Mandzukic para poder contar com o belga já esta temporada.

No meio de tudo isto — e pouco preocupado em esconder que tem mesmo a intenção de sair –, Lukaku falhou todos os seis jogos que o Manchester United realizou na pré-época e não esteve com o grupo nos estágios que o clube inglês realizou nos Estados Unidos, na Noruega e no País de Gales. A ausência do avançado, que foi sempre justificada com uma alegada lesão no tornozelo, foi continuamente ligada à vontade de Lukaku de rumar a outras paragens e essa versão foi praticamente confirmada esta segunda-feira. No Twitter, o jornalista Kristof Terreur partilhou uma fotografia do belga com o equipamento do Anderlecht, o clube onde realizou parte da formação e se estreou como profissional, pronto para treinar.

O Daily Mail acrescenta que que Lukaku pediu ao treinador Mo Ouahbi para treinar com a equipa sub-18 do Anderlecht, de maneira a manter a forma e o ritmo enquanto espera por avanços mais definitivos nas negociações com o Inter e a Juventus. A verdade é que a três dias do fecho do mercado (em Inglaterra, a janela de transferência encerra já na próxima quinta-feira), as conversas entre o Manchester United e os clube italianos parecem algo bloqueadas: se o Inter foi ultrapassado numa primeira fase pelo valor colocado em cima da mesa por parte da Juventus, que além da quantia juntava Dybala ao negócio, as exigências do argentino relativamente ao salário e à comissão do agente tornaram o acordo praticamente impossível. Os jornais ingleses garantem que o Inter de Antonio Conte ainda não desistiu e está a tentar subir a parada, ao passo que a equipa de Cristiano Ronaldo está então a tentar trocar Dybala por Mandzukic e seduzir o Manchester United com o avançado croata. Aconteça o que acontecer, a verdade é que Lukaku está a treinar com as camadas jovens do Anderlecht, longe de Solskjaer, dos red devils e de Inglaterra.