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Brexit

Setor da alimentação receia escassez em caso de saída do Reino Unido da UE sem acordo

O Reino Unido importa da UE 28% da comida consumida e, dependendo da altura do ano, certos vegetais ou frutas, como alfaces e tomates, podem representar até 90% das vendas no mercado britânico.

Um Brexit sem acordo poderá causar "escassez" e "perturbações graves" no fornecimento de alimentos ao Reino Unido, disse o presidente da Federação de Alimentos e Bebidas, Tim Rycroft

FACUNDO ARRIZABALAGA/EPA

Um Brexit sem acordo poderá causar “escassez” e “perturbações graves” no fornecimento de alimentos ao Reino Unido, alertou nesta quarta-feira uma organização britânica que representa o setor.

“O setor da alimentação é muito claro ao dizer que uma saída sem acordo representa um resultado desastroso, mas nunca dissemos que o país vai passar fome. Vai haver alguma escassez selecionada e esta será, até certo ponto, aleatória porque depende de quais camiões passam e quais não”, disse esta quarta-feira à rádio BBC Radio 4 Tim Rycroft, presidente da Federação de Alimentos e Bebidas, que representa cerca de 7 mil empresas.

Este responsável está convencido de que vão existir “perturbações graves” durante semanas ou meses após a saída britânica da União Europeia (UE), prevista para 31 de outubro, devido à burocracia e necessidade de controlos aduaneiros adicionais para o transporte, pois o Reino Unido deixará de fazer parte do mercado único.

A UE anunciou que, no caso de um Brexit sem acordo, pretende implementar imediatamente controlos alfandegários, inspeções de segurança alimentar e verificações das normas europeias nas suas fronteiras com o Reino Unido, o que poderá fazer demorar a passagem de produtos agro-alimentares entre o Reino Unido o resto da Europa, feita maioritariamente através do Canal da Mancha.

As perturbações poderão ser “mitigadas levemente pela acumulação de reservas nas primeiras semanas, mas com alimentos frescos não pode durar muito tempo”, vincou Rycroft.

Referiu ainda que a data do Brexit é a “pior altura” do ano para o setor de alimentos devido à necessidade de reforçar as reservas com alimentos para a época do Natal, o que levou a Federação de Alimentos e Bebidas britânica a pedir ao governo que implemente medidas especiais e exonere as empresas das leis sobre a concorrência que impedem uma coordenação em termos de armazenamento e preço.

O Reino Unido importa da UE 28% da comida consumida e, dependendo da altura do ano, certos vegetais ou frutas, como alfaces e tomates, podem representar até 90% das vendas no mercado britânico.

Porém, Lee Rotherham, diretor do instituto eurocético The Red Cell e ativista a favor do Brexit, considera que este tipo de avisos pode servir para “exacerbar o problema” e que pode levar à compra causada por pânico dos consumidores.

Em declarações ao canal televisivo BBC News, Rotherham disse que ainda é incerto como é que a UE vai aplicar certos regulamentos nas trocas comerciais com o Reino Unido, mas vincou que o governo britânico tem a capacidade para dispensar a aplicação de certos controlos e facilitar a entrada de produtos europeus.

Na sua opinião, as perturbações serão pequenas e temporárias, ilustrando: “O que eu estou a dizer é que vai exigir uma lomba na estrada, não uma parede”.

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