Rádio Observador

Viana do Castelo

Viana do Castelo. Pescadores em protesto contra cabo submarino podem boicotar festas locais

Dezenas de pescadores ameaçam boicotar a procissão Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, em protesto contra a construção de um cabo submarino a propósito do futuro parque eólico no mar.

Leonel de Castro/Global Imagens

A procissão marítima das festas de Nossa Senhora da Agonia, marcada para 20 de agosto, pode não realizar-se ao ser boicotada por pescadores em protesto contra a instalação de um cabo submarino a propósito do futuro parque eólico no mar Windfloat, escreve esta quarta-feira o jornal Público. Os pescadores em causa reclamam compensações uma vez que a colocação do cabo de 17 quilómetros interfere no espaço de pesca.

O projeto Windfloat é liderado pela EDP Renováveis. Como já antes escreveu o Observador, vem do tempo do Governo de José Sócrates e Manuel Pinho e também da grande aposta nas energias renováveis. Em causa está a produção de energia eólica offshore, ou seja, no mar, mas a uma profundidade — 100 metros — que não permite o uso do método tradicional de estacas. A construção do cabo submarino liga a plataforma flutuante onde vão estar as turbinas, ao largo de Viana do Castelo, e a rede elétrica em terra.

Segundo o Público, o secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, negociou com alguns armadores uma compensação de 200 mil euros atribuída pela REN. Numa fase anterior, o consórcio Windplus já tinha negociado com 16 armadores de Viana do Castelo um valor de um milhão de euros — verba que está a ser paga.

O advogado Pedro Meira representa dezenas de pequenos pescadores que dizem ter ficado de fora das negociações. Descontentes com a situação, querem negociar com o secretário de Estado das Pescas e garantem rejeitar os 200 mil euros. Segundo Pedro Meira, os 30 pescadores que representa querem conhecer “o critério de atribuição dos 1,2 milhões e, com base nesse critério, serem compensados de forma equitativa”.

À Rádio Observador, o advogado questiona o princípio de igualdade tendo em conta as indemnizações atribuídas e esclarece ainda que os pescadores em causa equacionam impedir a colocação do cabo submarino travando os trabalhos de instalação com as próprias embarcações: “Uma das medidas é impedir a instalação deste cabo. Da parte deles há a vontade de, por intermédio dos barcos, impedir de facto o desenvolvimento deste trabalho enquanto não forem ouvidos”.

Caso o Governo não aceite negociar, estes mesmos pescadores prometem boicotar as festas da Nossa Senhora da Agonia, entre outras “medidas de força”. Ainda de acordo com o Público, tudo tem de estar a funcionar até ao final do ano para que o consórcio Windplus — projeto de 125 milhões de euros — receba fundos comunitários de 30 milhões de euros, relativos ao programa NER300.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Serviço Nacional de Saúde

A Saúde e a Constituição

António Alvim

Agora, na altura em que se comemoram os 40 anos do SNS, importa desmitificar outra ideia feita pela esquerda. Que o atual Modelo Público de SNS resulta da Constituição e é imposto por esta.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)