Milhares de pessoas, na maioria simpatizantes de partidos islamitas, protestaram esta sexta-feira em várias cidades do Paquistão contra a decisão da Índia de revogar o estatuto de autonomia da Caxemira, território disputado pelas duas potências nucleares.

O maior protesto realizou-se na capital, Islamabad, onde cerca de 8 mil apoiantes da maior formação islamita do Paquistão, o Jamaat-e-Islami, marcharam até perto da embaixada da Índia enquadrados por um dispositivo de segurança de cerca de 2 mil polícias e militares.

Em Lahore, capital da província do Punjab (leste), cerca de 3 mil pessoas responderam ao apelo do partido islamita Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP) e marcharam pelas principais ruas da cidade até ao parlamento provincial gritando palavras de ordem contra a Índia.

O TLP é o partido que, no ano passado, promoveu grandes manifestações por todo o país contra a absolvição de Asia Bibi, uma cristã acusada de blasfémia que tinha sido condenada à morte.

O partido promoveu também esta sexta-feira uma manifestação em Carachi (sul), em que participaram cerca de 600 pessoas.

Realizaram-se ainda manifestações em Peshawar e Hyderabad e na capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarbad.

A tensão entre a Índia e o Paquistão acentuou-se depois de o governo nacionalista da Índia ter anunciado na segunda-feira a revogação da autonomia da Caxemira indiana.

O Governo de Nova Deli decidiu também dividir o Estado em duas regiões, uma que integra a Caxemira, de maioria muçulmana, e Jammu, de maioria hindu, e outra Ladakh, de maioria budista.

A Caxemira, nos Himalaias, é reivindicada na íntegra pelo Paquistão e pela Índia e dividida entre ambas as nações, que já travaram duas guerras pelo domínio daquele Estado.

O Paquistão reagiu à decisão indiana anunciando que vai pedir a intervenção das Nações Unidas por considerar que a decisão viola as normas internacionais que se aplicam aos territórios disputados.

Islamabad decidiu também reduzir o nível das relações diplomáticas com a Nova Deli, com a expulsão do embaixador indiano no Paquistão, a suspensão do comércio bilateral e a revisão de todos os acordos bilaterais.

Na sequência da decisão aprovada, a Índia impôs uma série de restrições de segurança ao território e reforçou o contingente militar na Caxemira com mais 25 mil militares.