A chegada de Griezmann ao Barcelona, numa espécie de capítulo final de uma novela intrincada e que ainda pode ter uma quase segunda temporada se ficar provado que o francês tinha tudo certo com os catalães já em março, deixou praticamente claro que a equipa de Ernesto Valverde teria esta temporada um novo tridente ofensivo. Depois do famoso MSN, o trio composto por Messi, Suárez e Neymar, o Barça tem tido dificuldade em encontrar a terceira peça que encaixe no argentino e no uruguaio. Dembélé e Philippe Coutinho, que chegaram na época passada, têm tido muito menos sucesso do que o brasileiro e não conseguiram propriamente garantir esse terceiro lugar no ataque catalão. Assim, com a chegada de Griezmann, parecia óbvio que o MSN daria lugar ao MSG.

Nesta pré-temporada, porém, e quando ainda falta uma semana para o início da liga espanhola, Messi ainda não foi reintegrado e permanece ausente dos trabalhos e dos jogos do Barcelona, que este sábado voltava a encontrar o Nápoles na segunda mão da final da La Liga-Serie A Cup, um torneio de preparação organizado pelas ligas de Espanha e de Itália. Assim, e depois de vencer a equipa de Carlo Ancelotti na quinta-feira por 2-1, o Barça apresentava-se na segunda e derradeira mão com Dembélé a fazer companhia a Griezmann e Suárez na frente de ataque dos espanhóis.

O marcador só mexeu na segunda parte, com Suárez a inaugurar o marcador aos 48 minutos e Griezmann a aumentar a vantagem aos 56, estreando-se assim, ao quinto jogo, a marcar com a camisola do Barcelona. Suárez fez o terceiro e Dembélé encerrou as contas, garantindo então à equipa de Valverde a conquista desta La Liga-Serie A Cup. Quer isto dizer que as três peças do puzzle atacante do Barcelona fizeram estragos na defesa do Nápoles: mas a verdade é que o jóquer da equação, uma espécie de trunfo que se juntou à brincadeira para tornar o resultado final mais fácil de atingir, joga uns metros atrás.

Frenkie de Jong, o médio holandês que o Barcelona contratou logo em janeiro ao Ajax e que chegou este verão à Catalunha, acabou com a titularidade inequívoca de Busquets e é neste momento o pêndulo, o equilíbrio e o dono do meio-campo dos catalães. Com critério, com uma qualidade de passe muitos níveis acima da média e com uma rebeldia assente num sorriso escondido que Busquets nunca teve, de Jong é nesta altura (e sem Messi) o jogador mais importante do Barcelona e tudo o que não seja um lugar garantido no onze inicial será pouco para o holandês. Contas feitas, se o MSN vai dar lugar ao MSG, é melhor que os criativos espanhóis comecem a pensar numa forma de incluir um J de Jong num trio que terá nas costas um apoio de grande valor.